Doença renal crônica e o impacto do manejo alimentar como tratamento coadjuvante – relato de caso

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Por Bianca Martoni, Alexia Oliveira Liu e Pablo Luiz das Neves Moreto

Resumo

A doença renal crônica (DRC) é uma enfermidade progressiva e irreversível, no qual ocorre a redução de néfrons funcionais e, consequentemente, da taxa de filtração glomerular (TFG), comprometendo funções metabólicas, endócrinas e excretoras. O tratamento da DRC visa corrigir os desequilíbrios causados pela doença, melhorar os sinais clínicos apresentados pelo paciente e reduzir o impacto dos que influenciam a progressão da doença, e, além disso, o manejo nutricional atua como um importante adjuvante para reduzir a progressão da doença e prolongar a vida do paciente. Este estudo relata um caso de um canino, encaminhado para atendimento nutricional por sobrepeso, histórico de doença renal crônica e seletividade alimentar. Foi realizado ultrassonografia abdominal evidenciando alterações hepáticas e renais, sugerindo a nefropatia crônica quando associado com o perfil bioquímico e com aumento de ALT, FA, albumina, ureia, creatinina, sódio, fósforo, colesterol e triglicerídeos. A urinálise apresentou aumento da relação proteína:creatinina urinária. Após a associação do manejo alimentar e aumento da ingestão hídrica com o tratamento da DRC, houve melhora significativa do animal, no qual foi possível observar normalização da ALT, albumina, ureia, creatinina e triglicerídeos.

Palavras-chave: Nutrição, injúria renal, cão

ABSTRACT

Chronic kidney disease (CKD) is a progressive and irreversible disease, in which there is a reduction in functional nephrons and, consequently, in the glomerular filtration rate (GFR), compromising metabolic, endocrine and excretory functions. The treatment of CKD aims to correct the imbalances caused by the disease, improve the clinical signs presented by the patient and reduce the impact of those that influence the progression of the disease, and, in addition, nutritional management acts as an important adjuvant to reduce the progression of the disease and prolong the patient’s life. This study reports a case of a canine, referred for nutritional care due to overweight, history of chronic kidney disease and food selectivity. An abdominal ultrasound was performed showing liver and kidney changes, suggesting chronic nephropathy when associated with the biochemical profile with increased ALT, FA, albumin, urea, creatinine, sodium, phosphorus, cholesterol and triglycerides. Urinalysis showed an increase in the urinary protein:creatinine ratio. After combining dietary management and increased water intake with the treatment of CKD, there was a significant improvement in the animal, in which it was possible to observe normalization of ALT, albumin, urea, creatinine and triglycerides.

Keywords: Nutrition, kidney injury, dog

INTRODUÇÃO

A doença renal crônica (DRC) é considerada uma enfermidade comum em pequenos animais, afetando entre 1% a 3% dos felinos e 0,5% a 1,5% dos cães 1,2 . De caráter progressivo e irreversível, possui como característica a redução de néfrons funcionais, reduzindo a taxa de filtração glomerular (TFG) e gerando um comprometimento das funções metabólicas, endócrinas e excretórias 2,3.

O paciente acometido pela DRC pode apresentar diversos sinais clínicos, alguns inespecíficos, como poliúria, polidipsia podendo evoluir para oligúria e até anúria, conforme evolução do quadro. Outros sinais como perda de peso, desidratação, inapetência, letargia, fraqueza, anemia, vômitos, até  surgimento de úlceras em cavidade oral, podendo evoluir para necrose, odor urêmico e convulsões, que também podem estar presentes 2,4,5. Em alguns casos, podem ter pacientes assintomáticos, ou seja, sem qualquer manifestação clínica da doença 1.

O diagnóstico pode ser realizado através de exames de imagem, de urina e bioquímicos, porém, é importante ressaltar que, nesse último caso, ainda que o animal apresente perda de néfrons funcionais, é possível observar valores de ureia e creatinina normais, uma vez que a alteração laboratorial ocorre apenas quando há comprometimento de pelo menos 75% nos cães e 80% gatos 2,6. Uma forma de diagnosticar a doença mais precocemente é através de alterações estruturais presentes em exames de imagem,  análise de amostras séricas e urinálise, uma vez que a isostenúria pode ser observada quando há o comprometimento de pelo menos 66% dos néfrons. O acompanhamento da pressão arterial classifica o risco de danos futuros em órgãos-alvo 7.

O tratamento da DRC visa corrigir os desequilíbrios causados pela doença, melhorar os sinais clínicos apresentados pelo paciente e reduzir o impacto dos que influenciam a progressão da doença, como a hipertensão sistêmica e glomerular, proteinúria, hiperparatireoidismo renal secundário, acidose metabólica, estresse oxidativo e infecções do trato urinário 8,9. Nessas doenças, a hiperfosfatemia pode causar hiperparatireoidismo renal secundário, patologia que pode levar à morte 10.

Além de melhorar a qualidade de vida de cães e gatos, o manejo nutricional é um importante adjuvante para reduzir a progressão da doença e prolongar a vida do paciente 11. Importante salientar que o tratamento dietético ideal, deveria ser adaptado para cada fase da DRC, o que não ocorre quando em se tratando de rações medicamentosas para esse tipo de doença 12. O ideal é a realização desse ajuste de forma individualizada e o mais precocemente possível, juntamente com o diagnóstico. Dentre os objetivos da dieta estão o aporte de nutrientes e calorias adequados, com restrição de fósforo e manutenção de massa magra 13

Geralmente o padrão da dieta para paciente renal tem alta densidade energética (alta em gordura), uma vez que um dos sintomas da doença é náusea. Dessa forma, o animal supre as calorias necessárias através de um menor volume de comida 14. É importante que seja realizado o cálculo do requerimento energético de manutenção, visando garantir a ingestão correta de calorias pelo paciente. Esse cálculo varia de acordo com a espécie,  idade, condição corporal, cobertura (pelagem), condições ambientais, aclimatização e temperamento 15.

Com relação ao teor protéico da dieta, o tipo de proteína oferecida deve ter alto valor biológico 16. Sua restrição possui vantagens como redução de compostos nitrogenados, como a ureia, redução na acidose, porém deve ser restrita com cautela, uma vez que a proteína é responsável pela manutenção da massa magra e auxilia na palatabilidade do alimento 13,17,18,19. Além disso, já existem estudos correlacionando perda no escore de massa muscular (EMM) e redução na expectativa de vida de pacientes com DRC, portanto, a proteína é essencial, uma vez que ela é responsável pela manutenção da massa magra 20.

Uma das peças chave no tratamento e manutenção do animal com DRC é o controle da fosfatemia. Idealmente, se preconiza a manutenção dos níveis de fósforo de acordo com o estadiamento da doença de forma que pacientes em estádio 1 e 2, segundo IRIS, mantenham teor de fósforo <4,5 mg/dL. Estádio 3 se objetiva  manter o fósforo entre 2,5 e 5,0 mg/dL e em estádio 4 até 6,0 mg/dL 21. A hiperfosfatemia causada pela menor absorção tubular, gera um desbalanço na proporção cálcio:fósforo. Dessa forma, afeta a produção do calcitriol pelos rins, má absorção intestinal e, consequentemente, hipocalcemia, além do aumento de secreção de paratormônio (PTH), podendo gerar um hiperparatireoidismo renal secundário 19,22

O potássio deve ser reposto de forma oral ou venosa, em caso de hipopotassemia  mais frequente em gatos do que em cães e, preferencialmente de forma individualizada 23. Já o teor de sódio da dieta deve ser reduzido, para evitar hipertensão, porém é importante que haja a manutenção de teores adequados de sódio e cloro uma vez que são importantes na regulação do equilíbrio ácido-base e da osmolaridade plasmática normal 14,15

Prebióticos e probióticos também podem ter papéis terapêuticos para manutenção de uma microbiota intestinal metabolicamente equilibrada, reduzindo a progressão de pacientes com complicações associadas à uremia na DRC. Isso ocorre, pois parte dos solutos de retenção urêmica são gerados no intestino e a disbiose intestinal, comum em pacientes com doenças renais, contribui para o acúmulo de toxinas urêmicas produzidas a partir da fermentação dos compostos nitrogenados em detrimento dos carboidratos não digeríveis 24.

RELATO DE CASO

Em julho de 2020, um canino, macho, 10 anos e 4,8 kg chegou para atendimento nutricional, após encaminhamento de outro veterinário. Paciente com histórico de doença renal crônica, sobrepeso e seletividade alimentar. Durante avaliação física, foi constatado escore de condição corporal 7/9, escore de condição muscular 1,5/3. Palpação abdominal sem alterações, abdome tenso, porém sem dor. Mucosa oral normocorada, presença de doença periodontal, ausculta pulmonar sem alterações e ausculta cardíaca de sopro grau V, castrado. 

Alguns exames já haviam sido solicitados para o fechamento do diagnóstico: ultrassonografia abdominal, hemograma, bioquímica sanguínea e urinálise.

A ultrassonografia abdominal evidenciou fígado um pouco aumentado, parênquima apresentando ecotextura grosseira e discretamente hiperecoico. Observou-se também bile de aspecto turvo, pâncreas, adrenais, estômago e alças intestinais sem alterações. Ademais, ambos os rins estavam diminuídos, com contornos irregulares, cortical espessa, hiperecoica e de ecotextura grosseira, apresentando perda da definição corticomedular. Bexiga, ureteres, uretra proximal à bexiga e baço sem alterações e próstata com dimensões diminuídas. Esses achados sugeriram nefropatia crônica. 

Em hemograma não foram visualizadas alterações, contudo, no perfil bioquímico foi observado um aumento de ALT (110 mU/mL), fosfatase alcalina (157 mU/mL), albumina (3,81 g/dL), ureia (180 mg/dL), creatinina (1,9 mg/dL), sódio (155 mEq/L), fósforo (6,9 mg/dL), colesterol total (226 mg/dL) e triglicerídeo (153 mg/dL). Glicose, potássio e cálcio iônico se apresentando dentro da normalidade. 

A urinálise apresentou exame físico dentro dos valores de referência. Já o exame químico apresentou traço de proteína. Sedimentoscopia sem alterações e bioquímica apresentando relação proteína:creatinina urinária 0,31. O animal já fazia acompanhamento cardiológico por apresentar degeneração mixomatosa degenerativa de válvula mitral.  A pressão arterial sistólica se apresentava em torno de 160 a 170 mmHg de média. 

Inicialmente foi sugerida a introdução de alimentação natural, para realizar a dieta de forma individualizada, uma vez que o paciente apresentava desordens em outros sistemas além do renal e, consequentemente, o aumento de ingestão hídrica, por ser uma alimentação com cerca de 70% de umidade. Apesar dos benefícios, a tutora se recusou a usar essa modalidade de alimentação, por não ter disponibilidade para produzir e precisar de algum alimento mais prático que se adaptasse à rotina dela. Dessa forma, foi prescrita a ração coadjuvante para doença renal.  Por ser um paciente já castrado e com sobrepeso, houve a redução inicialmente de 25% das calorias e foi calculado a alimentação “mix feeding”, onde parte da alimentação é seca e parte úmida. O cálculo realizado contemplou 50% das calorias diárias de ração seca e 50% das calorias provenientes do sachê. Além disso, calculou-se a ingestão hídrica necessária para o paciente. O animal já fazia fluidoterapia subcutânea a cada 48 horas, além de ter iniciado ômega 3, ácido ursodesoxicólico e extrato seco de berinjela por 30 dias e hidróxido de alumínio por 20 dias. Após 1 mês, foram realizados exames para acompanhamento, onde foi possível observar significativa melhora, com a normalização da ALT, albumina, ureia, creatinina e triglicerídeos. O colesterol apresentou significativa redução, se aproximando do limite superior (227 mg/dL). Após 4 meses, paciente apresentou significativo ganho de peso chegando a 5,85 Kg. Dessa forma, foi alterada a proporção de sachê para 75% das calorias e ração seca para 25%, pois a tutora aumentou a oferta de ração de forma deliberada por supor que o animal estava com comportamento alimentar compulsivo, dando impressão de sofrimento. Após o ajuste na proporção do mix feeding, o paciente se sentiu mais saciado.  Ao longo desses 4 anos, o paciente emagreceu de forma bastante lenta, chegando a 4,8 Kg. Após a restrição de 30% de calorias, diárias a tutora relatou, por sua perspectiva, sofrimento do animal. Deste modo, optou-se por uma restrição calórica menor. Em nenhum momento, após o início da terapia, o paciente apresentou azotemia renal. A creatinina apresentou valor máximo de 1,6 mg/dL em fevereiro de 2021, e mínimo de 1,1 mg/dL em setembro. Em 2023, a fluidoterapia foi ajustada para cada 72 horas. Em janeiro de 2024, paciente apresentou valores de creatinina 1,4 mg/dL e ureia 74 mg/dL. 

DISCUSSÃO

A manifestação inicial e a evolução dos episódios clínicos e bioquímicos em indivíduos com DRC podem exibir variações, as quais são influenciadas por diversos fatores, tais como a natureza intrínseca da condição, sua gravidade, duração e velocidade de progressão, presença de comorbidades não relacionadas à idade e à espécie do paciente, além da administração de agentes terapêuticos 25. A azotemia e a hiperfosfatemia são as alterações mais comuns encontradas nos exames de sangue durante o progresso da DRC, sendo causadas pela redução da Taxa de Filtração Glomerular (TFG). A hiperfosfatemia é comum em estágios mais avançados da DRC, o que não foi observado no paciente 26. A urinálise é outro exame usado na detecção da DRC, auxiliando a determinar o comprometimento renal. Apesar do paciente apresentar alteração em parâmetro ultrassonográfico de parênquima renal, não apresentou isostenúria. A avaliação da concentração sérica de creatinina emerge como um indicador de função renal mais confiável em comparação com a ureia, uma vez que não é significativamente afetada por hemorragias gastrointestinais e não é reabsorvida pelos túbulos renais. Todavia, é importante observar que a concentração sérica de creatinina pode variar em função da massa muscular e geralmente se altera quando já ocorreu perda de cerca de 70% dos néfrons funcionais 27.

A Sociedade Internacional de Interesse Renal classifica a Doença Renal Crônica (DRC) em quatro estágios, baseados nos níveis séricos de creatinina e do SDMA e subestágios de acordo com a relação proteína:creatinina urinária e valor de pressão arterial sistólica (IRIS, 2023). Para a determinação precisa da creatinina sérica, é necessário que o animal esteja em jejum e adequadamente hidratado 28. Os estágios da DRC são definidos considerando o valor da creatinina sérica da seguinte maneira: Estágio I: < 1,4 mg/dL; Estágio II: 1,4 a 2,8 mg/dL; Estágio III: 2,9 a 5,0 mg/dL; Estágio IV: > 5,0 mg/dL.

Segundo a classificação da IRIS, 2023, o paciente se encontrava em Estágio 2, proteinúrico limítrofe, com moderado risco de futuros danos em órgãos alvo. Conforme abordado por Ross, a progressiva deterioração da função renal interfere na integridade funcional de outros órgãos e sistemas fisiológicos, como o sistema cardiovascular 29. A hipertensão sistêmica é uma complicação comum na Doença Renal Crônica (DRC) em cães e gatos, afetando 50% a 93% dos cães, principalmente de origem secundária. Cerca de 85% dos cães com doença glomerular também apresentam hipertensão 30. Desse modo, os exames complementares desempenham um papel crucial, ajudando no diagnóstico, identificando o estágio da doença, orientando as opções de tratamento a serem consideradas e fornecendo uma estimativa do prognóstico 31. Normalmente, considera-se hipertenso um cão ou gato cuja pressão arterial sistólica se mantenha igual ou superior a 170 mmHg em pelo menos três avaliações realizadas em momentos distintos 32.

A implementação dietética como coadjuvante no manejo da doença renal crônica no caso deste relato, se mostrou eficaz, auxiliando no retardo da progressão da lesão renal, o que foi verificado com a evolução dos exames e a melhora nas taxas renais. Estudos como o de Watson e Church (1981) evidenciaram que a resposta da creatinina à dieta é variável, ressaltando a necessidade de considerar este fator na interpretação dos valores séricos de ureia e creatinina 33. Levey et al. (1989) destacam que a conversão da creatina em creatinina durante o processo de cozimento resulta em uma ingestão significativa de creatinina através do consumo de carne cozida 34. Por outro lado, Epstein (1984) demonstrou que dietas comerciais para cães podem alterar os níveis séricos de ureia, mas não afetam a concentração de creatinina 35. Além disso, embora seja raro em pequenos animais, o dano tecidual ativo pode ocasionar aumentos na concentração sérica de creatinina 36.

As dietas renais geralmente apresentam uma maior proporção de gordura, resultando em uma densidade energética elevada, permitindo a satisfação das necessidades calóricas do animal com menor volume de alimento. Isso visa evitar a distensão gástrica, que pode levar a sintomas como náuseas e vômitos 14.

Atualmente, é realizada a restrição protéica de forma cuidadosa, evitando a  perda de massa muscular, anemia e perda de peso. Segundo Finco et al, 1992, a diminuição da ingestão dietética de fósforo corroborou com a redução da progressão da doença renal e aumento da sobrevida em cães com DRC 37. Parker, 2021 considera o fósforo, como principal nutriente de restrição na DRC 38. Além disso, a suplementação de ômega 3 desempenha papel significativo na redução da pressão capilar glomerular, resultando na diminuição da proteinúria, progressão da DRC, colesterol sérico, inflamação e melhora da hemodinâmica renal 39,40. A IRIS (2023) indica que nos casos de hiperfosfatemia, seja realizada a restrição dietética de fosfato, mas em estádios avançados com concentração sérica maior que 6,0 mg/dl deve ser administrado aglutinantes de fosfato entéricos como: hidróxido de alumínio, utilizado no animal deste relato. O extrato seco de berinjela pode ser usado para a redução da taxa de colesterol e triglicerídeos 41.

A importância da hidratação adequada no paciente com DRC visa evitar a condição de desidratação hipertônica que pode ocorrer decorrente do comprometimento da capacidade de concentração urinária. Esta condição pode ser exacerbada por outras formas de perda hídrica, tais como vômitos, diarreia e adipsia, sintomas habitualmente observados na síndrome urêmica. A desidratação severa pode precipitar uma hipoperfusão renal, exacerbando ainda mais a disfunção renal 42,43.

CONCLUSÃO

A doença renal crônica é uma alteração comum na clínica de cães e gatos, por vezes silenciosa quando o animal é um paciente assintomático. Além disso, seu diagnóstico depende de diversos exames e  muitas vezes sua detecção é realizada de forma tardia quando o paciente já apresenta significativa redução da função renal. Por ter caráter progressivo e irreversível, é importante a realização do acompanhamento periódico, visando prevenir dentre outras alterações, quadros de azotemia, que podem cursar com um quadro mais grave de descompensação do paciente. Dentre as terapias usadas para regulação da função renal, a dieta nesse relato, se mostrou um excelente coadjuvante no tratamento, auxiliando na manutenção das taxas renais em níveis ótimos ao longo de 4 anos. É importante ressaltar que o ideal é que nenhum tratamento seja feito de forma isolada já que uma terapêutica multimodal se mostra eficaz no retardo da progressão da doença. 

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Bianca Martoni 
Bacharel em Medicina Veterinária pela Universidade Federal Fluminense – UFF (2015);
Atua com atendimento de Nutrologia Veterinária e Medicina Nutracêutica de cães e gatos, desde 2019. Mestranda no Programa de Pós-graduação em Ciência de Animais de Laboratório – FIOCRUZ. Atualmente é médica-veterinária da Divisão de Herpetologia do Instituto Vital Brazil.

Alexia de Oliveira Liu
Graduanda em Medicina Veterinária pela Universidade Federal Fluminense – UFF;
Bolsista da Divisão de Herpetologia do Instituto Vital Brazil.

Pablo Luiz das Neves Moreto
Bacharel em Medicina Veterinária pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro – UFRRJ (2009);
Pós-graduado em Gastroenterologia Veterinária – Anclivepa SP (2019);
Atuante na área de clínica médica de cães e gatos desde 2009 e na área de endoscopia digestiva e gastroenterologia de pequenos animais desde 2019.