Alergia alimentar em cães e gatos (AA)


Deprecated: strpos(): Passing null to parameter #1 ($haystack) of type string is deprecated in /home/medicinaveterinariaemfoco/public_html/wp-content/themes/blocksy/inc/components/blocks/blocks-fallback.php on line 16

Por M.V. Leticia Ghilardi

Alergia alimentar em cães e gatos (aa)

As dermatopatias representam uma grande parte da rotina clínica, sendo a hipersensibilidade alimentar um grande desafio diagnóstico e terapêutico para o médico-veterinário.

Sumário

Uma alergia é uma reação desencadeada por um elemento específico, interno ou externo ao corpo, conhecido como alérgeno. As alergias alimentares são a resposta exagerada do sistema imunológico geralmente causado por uma proteína, normalmente contida em frango, carne, leite, ovos, trigo, soja, entre outros. 

É muito importante descartar algumas dermatopatias alérgicas como DAPE, Atopia, Dermatite de Contato, Dermatites Parasitárias, Piogênicas e as Hormonais. 
{PAYWALL_INICIO}

Embora menos frequentes do que os sintomas dermatológicos podem ocorrer manifestações clínicas do trato gastrointestinal (diarréia e emese). A verdade é que o sinal mais característico é o prurido, que acomete cães e gatos de todas as idades e sem o padrão sazonal que aparecerá nas alergias desencadeadas, por exemplo, pelo pólen, ácaro e gramíneas.

Toda essa reação imunomediada causa além do prurido, desconforto, podendo aparecer manchas vermelhas e feridas causadas pelos arranhões.

É possível que esta doença afete a parte inferior do corpo, axilas e as orelhas, causando otite externa. As patas são comumente afetadas.

O principal objetivo do tratamento é proporcionar ao pet qualidade e expectativa de vida, prevenindo o desenvolvimento de problemas crônicos dermatológicos, doenças autoimunes, entre outras enfermidades que serão desencadeadas quando os níveis de IgE sérico se tornarem tóxicos.   

Manifestação cutânea de doença sistêmica – Autor: Patrícia D. White

Manifestações da alergia alimentar

A primeira coisa que se notará no pet é uma mudança de comportamento.    Apresentará um prurido muito além do que o normal seja em um local específico do corpo ou em todos os lugares. A pele pode parecer vermelha, escamosa ou seca e irritada.

Sendo a pele considerada o maior órgão do corpo tanto em seres humanos como nos cães e gatos, exercem funções de extrema relevância como homeostase, renovação celular, proteção (barreira cutânea) e, tanto a pele quanto a pelagem refletem fatores como a saúde do pet e a qualidade da sua dieta. Desempenhando a nutrição um papel importante na dermatologia e fundamental nas AAs.

Nos animais com prurido, sensação incômoda na pele, a prevalência de alergias alimentares é elevada e justifica que seja diagnosticada com a dieta de eliminação. O objetivo final é permitir a confirmação da AA. Devem ser considerados os pets com quadro de prurido não sazonal, e com sinais de dermatite alérgica.

As doenças que afetam a pele configuram uma grande parte da rotina do médico-veterinário; suas causas constatadas são variadas. A capacidade do trato intestinal de prevenir a absorção de proteínas inteiras depende da saúde e integridade da barreira da mucosa. 

A barreira da mucosa (revestimento do intestino) é composta por componentes estruturais e componentes do sistema imunológico. Os componentes estruturais impedem fisicamente a absorção de grandes proteínas. O componente do sistema imunológico é responsável por reconhecer conteúdos potencialmente nocivos ao trato gastrointestinal.

A saúde e a integridade do trato gastrointestinal dependem da estrutura e função normais dos enterócitos, da digestão eficaz de proteínas e da presença de estruturas imunológicas (IgA) do animal no trato gastrointestinal.

As imunoglobulinas IgA são um tipo de anticorpo secretadas no intestino. Parte da IgA flutua livremente no conteúdo do intestino, enquanto a outra parte se fixa à parede do mesmo para evitar que a proteína inteira entre em contato com os enterócitos.

Quanto mais eficaz for a digestão de proteínas no estômago e no intestino, menores serão as proteínas quando entrarem em contato com o IgA. Proteínas pequenas e aminoácidos únicos não se ligam ao IgA e podem passar pelo enterócito e serem absorvidos pelo corpo como nutrientes.

Sinais clínicos mais comuns da alergia alimentar em pets

Os sinais clínicos mais comuns são: Prurido intenso não sazonal constante, generalizado ou localizado; otite externa; pústulas; vermelhidão da pele; vômito; diarreia; hiperatividade; perda de peso; alterações comportamentais, que podem desenvolver agressividade além de desconforto.

Pododermatite canina

Autor: Rosanna Marsella

1 – Foto: Lesão cutanea decorrente de prurido intenso em extremidade de membro em Collie com sensibilidade alimentar. Fonte: Encyclopedia of Canine Clinical Nutrition. Royal Canin, 2007. 2- Foto: Severa alopecia em um Poodle com alergia alimentar. Fonte: Encyclopedia of Canine Clinical Nutrition. Royal Canin, 2007. 3 – Foto: Eritema interdigital em um cão. Fonte: Encyclopedia of canine clinical nutrition. Royal Canin, 2007. 4 – Foto: Otite externa recorrente em cão da raça Poodle. Fonte: Encyclopedia of Canine Clinical Nutrition. Royal Canin, 2007. 5 – Foto: Diarréia em um cão. Fonte: Duarte, R. Diarreias Cronicas. Vets Today. Royal Canin, 2011.

Principais alimentos que podem levar a alergia alimentar

Em testes realizados em cães e gatos os principais alimentos que podem levar à Alergia Alimentar foram: leite de vaca, petiscos, carne bovina, dietas caseiras, alimentos à base de trigo, além desses, o frango, ovos e a soja.

Os pets podem ser hipersensíveis a certos agentes dos alimentos, que mais tarde irão evoluir para uma alergia. Isso inclui a histamina, que é encontrada em certos tipos de proteínas, tomates e espinafre, bem como os nutrientes presentes em alguns grãos.

Certos nutrientes aos quais os pets são hipersensíveis podem ser encontrados em alguns alimentos próprios para eles (petiscos), causando reações desnecessárias na pele e no corpo. O diagnóstico da AA deve ser baseado na detalhada anamnese, exame clínico e identificação da dieta através de testes de eliminação.

Tratamento com uso do Alimento Seco Hypoallergenic Royal Canin Canina e Felina

Cães e Gatos que apresentam sinais ou foram diagnosticados com HA (hipersensibilidade alimentar) ou AA têm grande probabilidade de se beneficiar dos alimentos da linha Hypoallergenic (seco ou úmido). O Alimento Seco Hypoallergenic Royal Canin para Cães, por exemplo traz em sua fórmula uma proteína de soja hidrolisada com ínfimo peso molecular (< 10 KDa), além do arroz como fonte de carboidrato, DHA, GLA, vitaminas, minerais e antioxidantes que atuam na integridade da barreira cutânea, o que contribui para o reconhecimento imunológico dos pets previamente sensibilizados à proteína intacta, reduzindo prontamente a resposta alérgica no animal.

É importante ressaltar que as reações alérgicas ou dermatológicas  que acometem cães e gatos,  podem comprometer drasticamente sua qualidade bem como também a sua vida. O sistema imunológico descompensa e com isso compromete sua saúde.

  O alimento citado contém na formulação alguns ingredientes de elevada qualidade e digestibilidade, além de apresentar o diferencial de que tanto a fórmula, quanto o processo produtivo tendem a suprimir fontes de alérgenos alimentares, pois o processo de produção passa por  um rigoroso controle de qualidade, na intenção de impedir a contaminação de proteínas de tamanhos e quantidades diferentes, as quais de alguma forma provavelmente desencadearão um processo alérgico.                          

   

CONCLUSÃO

Os tutores são “peça chave” para diagnóstico e controle da Alergia Alimentar em seus pets. Devendo reconhecer que essa doença precisa ser controlada e tratada durante toda a vida desses animais.

O tutor e seus famíliares precisam ser muito rigorosos, devendo manter registro diário constatando o prurido, tudo que foi ingerido que não esteja na dieta, sendo ideal registrar também qualquer mudança nas fezes (ex: cor, consistência e odor).

Os cães e gatos com AA devem ser avaliados pelos menos duas vezes por ano depois do desaparecimento dos sinais clínicos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Biourge BC, Fontaine J, Vroom MW. Diagnosis of adverse reactions to food in dogs: efficacy of a soy-isolate hydrolysate-based diet. J Nutrition. 2004.

Fernando, Marcos Eduardo. Alergia alimentar em cães. Dissertação de mestrado. Universidade de São Paulo, 2005.

Gross, T.L., Ihrke, P.J., Walder, E.J. et al. Skin diseases of the dog and cat. clinical and histopathologic diagnosis. Oxford: Blackwell Science, 2005. Food Allergy. p. 206-207

German, A; Zentek, J. The most common digestive diseases: the role of nutrition. In: Pibot, P, et al. Encyclopedia of canine clinical nutrition, Royal Canin, 2006.

Picco F, Zini E, Nett C, Naegeli C, Bigler B, Rufenacht S, Roosje P, Gutzwiller ME, Wilhelm S, Pfister J, Meng E, Favrot C. A prospective study on canine atopic dermatitis and food-induced allergic dermatitis in Switzerland. Vet Dermatol. 2008;19:150–5

Portalvet. Tópicos Criticamente Avaliados em Dermatologia Veterinária. 2018. Disponivel em  https://portalvet.royalcanin.com.br/artigo.aspx?id=207> acesso em 12 fev. 2021.

Portalvet. Os pontos chaves da alergia alimentar em cães. 2020. Disponivel em: https://portalvet.royalcanin.com.br/artigo.aspx?id=405> acesso em: 14 fev 2021.

White, Patricia D. Dermatology. Disponivel em: https://vetfocus.royalcanin.com/en/article,list,category:1:dermatology.html> acesso em 15 fev. 2021.

Roudebush, P.; Guilford, W.; Jackson, H. Adverse Reactions to food. Small Animal Clinical Nutrition. P 609-635, 2010.

Salzo, P.S.; Larsson, C.E. Hipersensibilidade em cães, Arq. Bras. Med. Vet. Zootec., v61, n3, p.598-605, 2009

Tarpataki N, Papa K, Reiczigel J, Vajdovich P, Vorosi K. Prevalence and features of canine atopic dermatitis in Hungary. Acta Vet Hung. 2006;54: 353–66

White SD: Food allergy and other skin diseases that respond to dietary management. Proc Canine Med Symp 2005.

White SD: Dermatite Alergica em Cães, Livro Nutrição Clínica Canina e Felina, 2010 – P 06 -07

M.V. Leticia Ghilardi – CRMV SP 12781

•Formada no Centro Regional Universitário Espírito Santo do Pinhal – CREUPI.
•Graduação Lato Sensu – Nutrologia em cães e gatos – Centro Universitário UNINGÁ- SP, com carga horária cumprida de 120 horas.
•8th World Congresso f Veterinary Dermatology – realizado em 2016 / Bourdeux  – França.
•Fórum internacional Royal Canin 2020 – Clínica Médica – Dermatologia – Nutrição.
•New Skills ACADEMY – Pet Psychology Certification – 2020/2021.

.

{PAYWALL_FIM}