Existem cães dominantes?


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Por Joilva Duarte

Existem cães dominantes?

Como identificar e lidar com cães que apresentam comportamento dominante em algumas situações

Entenda melhor o que está por trás desse comportamento e se há mesmo um líder da matilha. Fonte: iStockphoto@Ljupco

Muitos tutores afirmam que seu cachorro é dominante quando briga com outros. Quando está em um grupo, fica tentando montar nos demais cães, toma a frente durante os passeios, apresenta atitudes territorialistas, rouba brinquedos e comida, entre outros comportamentos.

Antes de falarmos sobre esses tipos de atitude, é preciso entender um pouco sobre a teoria da dominância, que surgiu por volta da década de 1930. Para chegar até ela, pesquisadores realizaram alguns estudos com lobos em cativeiro para analisar seus comportamentos. Com o tempo, eles perceberam que esses animais brigavam e lutavam em conflitos violentos para conseguirem seu espaço e se mostrarem, então, como líderes do grupo. Assim chegaram à conclusão de que esse seria um comportamento natural. Contudo, na época, o que não foi levado em consideração é que esses grupos de lobos estudados em cativeiro não se conheciam nem tinham qualquer vínculo anterior à pesquisa. Eles estavam compartilhando o mesmo espaço não por escolha própria, algo natural, mas porque foram colocados em um mesmo ambiente, de maneira forçada, algo que não acontece em seu habitat natural. Ou seja, concluir que a dominância seja um comportamento natural não é a melhor maneira de se pensar, concordam?

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Novos estudos

Algum tempo depois, foram feitas novas pesquisas, dessa vez com lobos da mesma família, e constatou-se que, quando convivem, não existem conflitos nem brigas para decidir quem é o líder do grupo. Percebeu-se então que, durante as atividades, um dos lobos assumia a frente – podia ser qualquer um: pai, mãe ou outro membro, sem lutas ou brigas.

Dessa forma, precisamos esclarecer que nem todos os cachorros são dominantes, pois esse termo gera muita confusão e até pré-julgamento em relação a algumas raças específicas. A maioria das pessoas acha que um American Pit Bull Terrier é dominante somente por ser dessa raça, quando na verdade seu comportamento está mais relacionado ao ambiente onde vive e em como ele é (ou não) socializado. Assim, a dominância não é uma característica de personalidade do cachorro, mas de um comportamento decorrente de uma situação. Portanto, o termo “cão dominante” costuma ser utilizado de forma incorreta na maioria das vezes. Por exemplo, quando dois cães se encontram, um pode demonstrar mais dominância naquele momento, e em outro, submissão. Para ficar mais claro: Biel pode ser dominante com Juju, que, por sua vez, é dominante com Belinha.

Existem outros cães que são dominantes apenas em relação a recursos, brinquedos ou comida, assim como alguns com problemas de comportamento ou carência podem ter tendência dominante perante determinadas situações e submissão perante outras.

E quando estão em grupo?

A maioria das pessoas acredita que, em um grupo de cães, existe um cãozinho dominante e todos os outros o respeitam ou cumprem as ordens do líder. No entanto, o que realmente acontece é uma cooperação para que convivam harmonicamente sem um tentar dominar o outro. Claro que isso não quer dizer que não haja atritos, mas eles também sabem ser organizados socialmente. Vemos muito isso em creches para cães, onde eles ficam em grupos brincando, gastando energia e convivendo bem. Por isso é importante a socialização. Quanto melhor for o convívio social de seu cachorro, mais feliz e saudável será sua vida, pois independentemente de onde estiver, ele saberá como se comportar.

O que fazer se meu cão já tem esses comportamentos?

Você deve estar se perguntando agora o que você pode fazer quando seu cachorro apresentar esses comportamentos dominantes, não é mesmo? Algo que podemos fazer para melhorar os problemas que podem surgir pelas tendências dominantes é trabalhar a educação e o adestramento do cachorro sempre de forma positiva, para conseguir uma melhor resposta do nosso companheiro e evitar, assim, situações descontroladas.

Pais de humanos não são dominantes em relação a seus filhos. Eles não forçam regras, mas ensinam. Pensando que nossos pets, hoje em dia, são nossos filhos, por que então agir diferente e achar que temos que ser dominantes sobre eles?

Como tutores responsáveis, não há motivo algum para sermos líderes ou dominantes. Devemos guiá-los desde filhotinhos para a fase adulta, promovendo a socialização adequada. Outra coisa muito importante é aprendermos sobre eles tanto quanto eles aprendem sobre nós. Assim, poderemos entendê-los e melhorar cada vez mais a nossa relação. Nossos cães são parte do nosso grupo e da nossa família e devemos ensiná-los e aprender com eles.

Joilva Duarte

é franqueada Cão Cidadão, de Osasco-SP

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