Associações na Medicina Veterinária: importância delas para o segmento

Conversamos com algumas das parceiras do Congresso Vet em Foco para ficar por dentro de ações, evento e dos desafios de diferentes especialidades

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Por Samia Malas

Médicos-veterinários formados e estudantes dispõem de diversas associações que promovem diferentes especialidades na Medicina Veterinária. Cada uma delas está empenhada em envolver seus membros em eventos e discussões científicas que visam o aprimoramento da formação profissional da profissão no Brasil. Entre as vantagens de ser um veterinário associado estão descontos em eventos, acesso a materiais exclusivos e a oportunidade de integrar uma rede nacional de profissionais.
A seguir, conversamos com algumas destas associações, todas parceiras do Congresso Vet em Foco, para entender o que têm feito para seus associados em suas respectivas especialidades.

Pets Não convencionais
A Associação de Medicina Veterinária em Pets Não Convencionais (ABVPETS) é uma entidade técnico-científica e sem fins lucrativos, composta por médicos-veterinários especializados no atendimento de pets não convencionais. Segundo o seu presidente, o veterinário Dr. José Manuel Mourino, ela foi criada para atender a gigantesca demanda do mercado em relação a esses pets. “Os médicos-veterinários não tinham nenhuma associação de classe para poder trocar informações, os conselhos regionais e federal não recebiam demandas organizadas para regular esta área de atuação e muitas das normativas propostas não cabiam para a aplicação em clínicas e hospitais especializados. Além disso, o médico-veterinário de animais não convencionais esteve sempre desassistido pelo poder público no tocante à legislação. A associação, em seu primeiro ano de trabalho, começou congregando a classe e entendendo as demandas de cada indivíduo. Fizemos parcerias com a indústria, que não para de crescer, para atender a classe de forma mais próxima e ajudar na elaboração de novos produtos farmacêuticos e medicamentos. Os conselhos agora estão a par desta especialidade e as tratativas com comissões já começaram. A expectativa para esse segundo ano é de muito trabalho e crescimento”, revela José Manuel.
Após 1 ano de sua fundação, a ABVPETS congregou 50 médicos-veterinários e estudantes como associados. “Contudo já estamos recebendo novos cadastros e temos o objetivo de dobrar esse número até o final de 2026”, acrescenta.

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“Somos o terceiro maior mercado pet do mundo e os animais não convencionais representam só uma parte dele. A ABVPETS
pretende congregar a classe para fazer com que esse movimento chegue para todos os vets do Brasil e tem feito um esforço
gigantesco para estar nos congressos veterinários, além de ter criado novos eventos anuais” diz
Dr. José Manuel Mourino, da ABVPETS

Sobre os desafios que a ABVPETS tem enfrentado, José Manuel cita um em especial: como todo início, conquistar a credibilidade em um mercado tão grande e já bem estabelecido. “Contudo o formato assertivo da escolha de diretores de ‘notório saber’ para a primeira diretoria abriu as portas das universidades e dos grandes congressos brasileiros. Trabalhar o primeiro ano sem grandes parcerias financeiras foi um desafio, doravante as parcerias de 2026 prometem ‘chacoalhar’ esse movimento nos próximos meses”, garante.
Ainda segundo José Manuel, a ABVPETS tem montado aulas técnicas e científicas de forma gratuita para os associados, conseguiu descontos significativos em muitos congressos veterinários e está finalizando um website para alocação das áreas de atuação dos associados no Brasil, fazendo com que a busca pelo atendimento especializado seja facilitada. “Também estamos dando aulas nas pós-graduações de cães e gatos de algumas especialidades para aproximar dermatologistas, endocrinologistas etc., desses novos animais de companhia”, acrescenta.

Patologia Clínica
Dra. Michelly Fernandes de Macedo
, presidente da Associação Brasileira de Patologia Clínica Veterinária (ABPCV), aponta que em 2026 têm concentrado seus esforços em três frentes principais: fortalecimento da formação continuada dos associados, ampliação das oportunidades de atualização científica e avanços institucionais voltados ao reconhecimento profissional da área. “No campo científico e de eventos, a ABPCV, que conta com 134 sócios ativos, promoverá o II Simpósio Internacional da ABPCV sobre Citologia Oncológica Veterinária, que ocorrerá nos dias 14 e 15 de agosto de 2026, em Niterói-RJ, com especialistas nacionais e internacionais, para discutir avanços diagnósticos e aplicações da citologia oncológica na medicina veterinária, além de participar ativamente da divulgação do Encontro Nacional de Patologia Clínica Veterinária (ENPCV), que ocorrerá entre 16 e 18 de outubro de 2026, em Jaboticabal-SP. Paralelamente, a diretoria já iniciou discussões sobre o evento científico da ABPCV previsto para 2027, com proposta de realização no Nordeste, considerando aspectos logísticos e de acessibilidade aos participantes”, lista Michelly.

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“A ABPCV tem um papel importante no fortalecimento da patologia clínica dentro do mercado veterinário de
pequenos animais, atuando na valorização da especialidade e na atualização constante dos profissionais da área. Ao
estimular a atualização científica e a troca de experiências entre profissionais, a ABPCV também ajuda a consolidar a patologia
clínica como uma área estratégica dentro da rotina de atendimento aos pacientes” diz Dra. Michelly Fernandes de Macedo, da ABPCV

No âmbito institucional e de valorização profissional, Michelly aponta que a associação também tem avançado nas discussões sobre a estruturação da prova de especialista e do Registro de Qualificação de Especialista (RQE) na área de Patologia Clínica Veterinária. “Para que isso se concretize, estão sendo analisadas experiências de outras associações científicas e especialidades médicas e veterinárias, buscando construir um modelo sólido e alinhado às boas práticas já consolidadas em outras áreas da Medicina Veterinária”, explica. Esta, inclusive, é uma pauta importante da associação, pois o RQE envolve discussões sobre critérios de reconhecimento da especialidade e valorização da formação técnica dos profissionais da área.
Outro desafio citado pela presidente da associação, que foi fundada em 2021, é o de manter a sustentabilidade da entidade, garantindo que ela continue ativa e capaz de cumprir seu papel institucional diante dos custos administrativos e operacionais necessários para sua manutenção; e esforços e mobilizações relacionadas à valorização e ao reconhecimento da patologia clínica veterinária como área de atuação específica do médico-veterinário. “Nesse contexto, a ABPCV tem participado de debates e articulações institucionais, que muitas vezes exigem deslocamentos e presença a fim de cumprir agenda de reuniões em Brasília, especialmente quando se trata de pautas regulatórias que impactam diretamente o exercício profissional”, diz.
Por fim, a ABPCV também tem trabalhado na ampliação de benefícios educacionais para os associados, com a proposta de criação de uma programação contínua de atividades científicas ao longo do ano, incluindo palestras on-line, lives temáticas, podcasts, discussões de artigos científicos e sessões de Journal Club. “Essas iniciativas têm como objetivo estimular a atualização permanente dos profissionais associados, promover a discussão crítica da literatura científica e fortalecer a integração da comunidade de patologistas clínicos veterinários no Brasil.

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“Como conquistas nestes 20 anos de atuação, obtivemos a maior disseminação de informações sobre a importância
da fisioterapia e o aumento do número de cursos e pós-graduação especializados na área, um fator importante na
educação do profissional, visto que na maioria das universidades não possui uma disciplina especializada na área”
diz Dr. Luiz Henrique Mattos, da Anfivet

As ações para 2026 refletem nosso compromisso com o fortalecimento científico, a valorização profissional e a disseminação do conhecimento em patologia clínica vet, contribuindo para o desenvolvimento da especialidade e o avanço da veterinária baseada em evidências”, finaliza.

Fisioterapia & Reabilitação
Desde a sua fundação em 2006, a Associação Nacional de Fisioterapia Veterinária (Anfivet),vem trabalhando pelo reconhecimento e fortalecimento do segmento de reabilitação veterinária, aponta Dr. Luiz Henrique Mattos, diretor da Associação.
Hoje, a Anfivet possui, em média, 130 associados ativos e, entre os principais projetos que vem implementando, podemos citar a promoção de uma maior proximidade das empresas do ramo com os profissionais, suporte jurídico e benefícios gerais aos associados, além de parcerias em eventos com associações co-irmãs. “Além disso, fizemos a candidatura do Brasil como sede para o maior congresso internacional na área que será realizado em 2028, e também estamos em fase de implementação da prova de títulos de especialista”, acrescenta Luiz Henrique, que tem o combate ao exercício ilegal da profissão como um grande desafio. “Para atuar com reabilitação veterinária é necessário ser veterinário formado, mas ainda há profissionais de outras áreas atuando com animais”, destaca. “O Brasil, cada vez mais, se torna referência na América Latina na área de reabilitação tanto de pequenos quanto de equinos, com o avanço dos profissionais e das tecnologias, com acesso aos tratamentos (já presente na maioria das cidades além dos grandes centros) e na realização de eventos, congressos e educação continuada na área, com grandes profissionais que foram pioneiros”, finaliza.

Nefrologia Veterinária
Fundado em 2011, o Colégio Brasileiro de Nefrologia e Urologia Veterinárias (CBNUV) é uma associação sem fins lucrativos que visa congregar médicos-veterinários, promovendo eventos, cursos de atualização e aperfeiçoamento, reuniões técnicas, palestras etc., o intercâmbio de trabalhos, pesquisas e informações científicas inerentes à Nefrologia e Urologia Veterinárias.

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“Vivemos hoje um cenário com enorme volume de informação circulando, especialmente nas redes sociais. Nesse contexto, o
papel das associações torna-se ainda mais relevante: organizar conhecimento baseado em evidências e oferecer referências
confiáveis para os profissionais” diz Dr. Hugo Cardoso Martins Pires, do CBNUV

Segundo Dr. Hugo Cardoso Martins Pires, atual presidente do CBNUV, em 2026, o Colégio tem concentrado esforços em ampliar a difusão de conhecimento científico aplicável à prática clínica e fortalecer a nefrologia e urologia veterinária dentro da medicina de pequenos animais, ampliando a capacidade de prevenção, diagnóstico precoce e tratamentos das alterações do trato urinário em pets no Brasil. “O CBNUV atua como uma referência na área de nefrologia e urologia veterinária no Brasil, América Latina e Estados Unidos. Nosso papel é estimular a atualização profissional, promover discussões clínicas qualificadas e aproximar a especialidade da prática cotidiana da medicina veterinária. Também buscamos fortalecer a comunidade de profissionais interessados na área, criando um ambiente de troca científica que contribua para melhorar o diagnóstico, o manejo e a qualidade de vida dos pacientes renais. Nossos associados têm a oportunidade de estarem próximos a formadores de opinião, participando de conteúdos técnicos e eventos científicos do próprio colégio, de outras associações parceiras e congressos nacionais e internacionais. Eles ainda contam com acesso a conteúdo técnico na área do associado”, lista Hugo Cardoso.
Entre as principais iniciativas do CBNUV Hugo cita as campanhas de conscientização realizadas pelo Colégio, como o ‘Março Amarelo’, voltado para a prevenção e diagnóstico precoce da doença renal crônica em cães e gatos, realização do 2 CINUV, Congresso Internacional de Nefrologia e Urologia Veterinárias que será realizado nos dias 1, 2 e 3 de julho na cidade de São Paulo, com a participação de 3 palestrantes internacionais, com 2 representantes da International Renal Interest Society (IRIS). “Também estamos presentes nos principais congressos no Brasil, como Congresso Vet em Foco, CBA e MedVep. Além da produção contínua de conteúdos técnicos voltados para médicos-veterinários nas redes sociais e no portal do associado, também seguimos investindo em discussões clínicas, eventos científicos e ações educacionais que aproximam especializados e clínicos gerais, porque grande parte dos pacientes renais está justamente na rotina da clínica diária”, acrescenta Hugo.
O médico-veterinário também vem percebendo um aumento progressivo do interesse de profissionais da Medicina Veterinária pela área da nefrologia e urologia nos últimos anos. “Isso reflete sua importância dentro da medicina veterinária: hoje existe maior reconhecimento da importância das doenças renais na longevidade e qualidade de vida de cães e gatos”, acrescenta Hugo.
Ainda segundo ele, a nefrologia e a urologia veterinárias evoluíram muito nos últimos anos, especialmente em três aspectos: diagnóstico precoce, abordagem clínica e cirúrgica mais estruturada e maior especialização profissional. “Hoje discutimos doença renal de uma forma muito mais ampla do que no passado. Não se trata apenas de realizar um tratamento em um paciente em estágio avançado, mas também de identificar fatores de risco, rastrear alterações precoces e acompanhar pacientes ao longo do tempo. Também houve avanços importantes no entendimento da progressão da doença renal crônica, no controle de fatores como hipertensão e proteinúria, e no manejo nutricional desses pacientes. Na área da cirurgia urológica, percebemos um avanço tecnológico e de técnicas que envolvem melhores opções para os pacientes, que hoje conseguem ter acesso a resolução de problemas que antes, poderia culminar em nefrectomias. Esse movimento tem sido acompanhado por maior interesse na especialidade e pela formação de grupos de estudo e associações com formadores de opinião e ações científicas como o CBNUV e o Colégio Latino-americano de Nefrologia e Urologia Veterinárias (CLANUV) que atuam justamente na difusão desse conhecimento”, explica Hugo.
Há ainda uma dificuldade em ampliar o engajamento do médico-veterinário em torno da educação científica contínua e de qualidade, aponta Hugo, que encara este entrave como um dos grandes desafios do CBNUV. Outro desafio importante citado por Hugo é o de ampliar a conscientização sobre a importância do diagnóstico precoce das doenças renais, que muitas vezes evoluem de forma silenciosa durante anos.

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“A geriatria veterinária ganhou maior visibilidade, mais espaço nas clínicas e hospitais veterinários, maior reconhecimento dentro da profissão, e a SBGV tem tido um papel importante nesse processo, promovendo conhecimento, integração entre profissionais e melhoria na qualidade de vida dos animais idosos” diz Dr. Diego Mendes, da SBGV

Geriatria Veterinária
Segundo Dr. Diego Mendes, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria Veterinária (SBGV), a associação tem atuado de forma contínua para fortalecer e consolidar a geriatria veterinária como uma área de grande relevância dentro da Medicina Veterinária no Brasil.
“Uma das principais conquistas foi ampliar a conscientização da classe médico-veterinária sobre a importância do atendimento especializado dos pacientes seniores e a necessidade de uma abordagem clínica diferenciada nessa fase da vida, independentemente da espécie animal, promovendo diversas ações voltadas à educação continuada”, diz Diego.
Outro avanço importante citado por ele, foi o crescimento do interesse de médicos-veterinários e acadêmicos pela área, refletindo uma mudança na própria medicina veterinária, que hoje reconhece que o envelhecimento é uma fase que exige acompanhamento específico, individualizado e multidisciplinar.
Entre os benefícios oferecidos aos associados da SBGV, Diego cita alguns deles, como: a participação em reuniões técnicas mensais e eventos presenciais da Associação de forma gratuita; acesso à área restrita no website, com as gravações de todas as reuniões técnicas anteriores; participação em um grupo de WhatsApp exclusivo para a troca de informações sobre casos clínicos e esclarecimento de dúvidas; descontos especiais nas inscrições de cursos e eventos de algumas empresas privadas e entidades de classe parceiras; além de sorteio de ingressos gratuitos para os principais congressos de geriatria veterinária do nosso país.
Para 2026, a SBGV organizou uma programação com 15 reuniões técnicas ao longo de todo o ano e três eventos científicos presenciais, permitindo que os seus atuais 70 associados ativos tenham contato com conteúdos atualizados relacionados ao atendimento de pacientes seniores. “Também estamos envolvidos na organização dos principais congressos da nossa área e, como novidade para 2026, estamos organizando o Senior Cat Talks, voltado para a geriatria felina, e o I Simpósio de Geriatria Veterinária da SBGV, que acontecerá de forma presencial na cidade de São Paulo”, revela Diego.
Desde quando foi fundada, em 2018, a SBGV tem enfrentado desafios naturais de uma área que ainda está em processo de consolidação dentro da medicina veterinária no Brasil. “Nós vivemos um momento em que os animais de estimação estão vivendo mais, porém nem sempre a formação tradicional do médico-veterinário acompanha essa mudança na mesma velocidade, e isso faz com que ainda exista a necessidade de conscientizar alguns colegas de outras áreas e as famílias dos pacientes que são atendidos pelos clínicos gerais, sobre a importância de uma abordagem diferenciada dos pacientes seniores, que geralmente apresentam multimorbidade e, consequentemente, polifarmácia. Muitos colegas atendem animais idosos desde sempre, porém, sem o conhecimento aprofundado sobre fisiologia do envelhecimento, abordagem geriátrica ampla e critérios técnicos utilizados para direcionar as tomadas de decisões e intervenções terapêuticas”, explica Diego.
Outro ponto levantado por Diego é que, embora o Brasil possua cerca de 77.287 estabelecimentos veterinários ativos segundo dados de março de 2025 do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), menos de 10% desses locais possuem um serviço de geriatria veterinária bem estruturado ou oferecem atendimento especializado em geriatria veterinária com um médico-veterinário geriatra.
“Este cenário representa um grande desafio não apenas para nós, da SBGV, cuja preocupação é a inserção dos nossos associados no mercado de trabalho, mas também para as famílias dos pacientes que têm nos procurado cada vez mais, com o passar dos anos, com o intuito de oferecerem uma melhor qualidade de vida e um envelhecimento saudável aos seus pets, e não encontram locais que ofereçam esse serviço próximo de suas residências, principalmente em cidades distantes das grandes capitais do nosso país”, finaliza Diego.