MERCADO DE DIAGNÓSTICO POR IMAGEM NO BRASIL: NOVIDADES E TENDÊNCIAS


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VETERINÁRIOS RENOMADOS DA ÁREA FIZERAM SUAS PREVISÕES SOBRE OS CAMINHOS QUE ESTA ESPECIALIDADE TEM SEGUIDO NO BRASIL

Foto: AnnaStills/iStock

Por: Samia Malas

Assim como a Medicina Veterinária evoluiu, o setor de Diagnósticos, em especial o de exames de Imagem, também avançaram muito nos últimos 10 e 5 anos. “O grande avanço das técnicas de diagnóstico por imagem foi relacionado ao início da utilização da Ressonância Magnética (RM) pela medicina veterinária e, mais atualmente, o uso da cintilografia, que é a mais nova tecnologia, que chegou a pouquíssimo tempo na medicina veterinária e que nos auxiliará no entendimento sobre o estado funcional dos órgãos”, destaca Solange Carné, idealizadora e fundadora do Cenus Solvet, escola de ultrassom em pequenos animais, e do Mundo Ultra Vet, um site com conteúdos de ultrassonografia.

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“A cintilografia […] chegou a pouquíssimo tempo na medicina veterinária e nos auxiliará no entendimento sobre o estado funcional dos órgãos” revela Solange Carné, do Cenus Solvet


Segundo Gabriela Rodrigues, especialista em Diagnóstico por Imagem com título concedido pelo CBRV e sócia-fundadora e radiologista da Imagem.vet, atualmente, os métodos de imagem avançados estão “bombando”. “A Tomografia Computadorizada (TC) e a RM vieram com tudo. Houve um barateamento dos valores destes equipamentos, especialmente os de TC, fazendo com que se difundissem rapidamente em poucos anos. Temos alguns equipamentos de TC espalhados pelo país, não mais somente nos grandes centros (São Paulo e Rio de Janeiro). Estes serviços de imagem avançaram bastante até mesmo porque as outras especialidades também tiveram seus avanços, e isso vem junto com o diagnóstico por imagem.”, diz Gabriela.

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“A TC e a RM vieram com tudo. Houve um barateamento dos valores destes equipamentos […], fazendo com que se difundissem rapidamente em poucos anos” revela Gabriela Rodrigues, da Imagem.vet


Mirian Vac, sócia fundadora da Associação Brasileira de Radiologia Veterinária (ABRV), destaca que, muitas vezes, o detalhe faz a diferença no diagnóstico. “Assim, os transdutores lineares de alta frequência e os aparelhos com excelente resolução são necessários, principalmente na avaliação intestinal dos felinos”, ressalta.

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“O detalhe faz a diferença no diagnóstico. Assim, os transdutores lineares de alta frequência e os aparelhos com excelente resolução são necessários” diz Mirian Vac, sócia fundadora da ABRV


Para Alex Adeodato, CEO da CRV Imagem, 2024 deve ser um ano de acomodação de todo investimento feito em equipamentos no período pós-Covid. “O número de equipamentos de imagem avançada (TC e RM) praticamente dobrou nos últimos 2 anos”, comenta o médico-veterinário, que ainda acredita em uma redução na velocidade de abertura de novos serviços de imagem avançada nos próximos 2 anos. “Os equipamentos de tomografia de 16/32 canais se consolidaram como sendo o ponto de equilíbrio na clínica de pequenos animais. Muito pouco provável que haja investimentos por máquinas com maior número de canais”, aponta.
Ainda segundo Alex, quando o assunto é RM, as previsões são um pouco mais complexas. “Como o investimento e manutenção desses equipamentos é consideravelmente maior, há um parque misto de máquinas de alto e baixo campo, novas e usadas. Isso tudo impacta no resultado do paciente, no tempo que o paciente fica anestesiado, na quantidade de exames possíveis. A tecnologia por trás da ressonância magnética, incluindo a força do campo magnético, tipo e qualidade de bobinas, software e hardware ainda está evoluindo muito a cada ano. Se por um lado a necessidade de um alto campo para avaliação de pacientes de pequeno porte parece óbvia, o custo atrelado a esses equipamentos impede a disseminação necessária da ferramenta”, revela Alex.

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“As grandes novidades no setor de imagem devem envolver IA. Softwares cada vez mais confiáveis capazes de ajustar técnica, imagens e até emitir parecer sobre elas devem invadir o mercado vet nos próximos anos” aponta Alex Adeodato, da CRV Imagem


Para Fernando da Silva Garcia, sócio proprietário da Agrofran Clinicão e proprietário da Vet Franca, o acesso a equipamentos de ponta possibilitou um exponencial crescimento da área, gerando novos postos de serviço e a introdução de exames de imagem avançados, como Tomografia Computadorizada e Ressonância Magnética, e até mesmo cintilografia, trazendo grandes avanços na clínica e cirurgia também. “Além disso, é de extrema importância o uso de equipamentos portáteis de qualidade, levando o diagnóstico por imagem para lugares que antes não tinham esta possibilidade. Porém, o custo de tecnologias avançadas ainda é alto, dificultando o acesso para toda a população brasileira. Mas o maior desafio são as condutas antiéticas e mercantilizadas, que trazem prejuízos não apenas para o diagnóstico por imagem, mas para todos os setores da Medicina Veterinária”, acrescenta o médico-veterinário.

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“É de extrema importância o uso de equipamentos portáteis de qualidade, levando o diagnóstico por imagem para lugares que antes não tinham esta possibilidade” afirma Fernando da Silva Garcia, proprietário da Vet Franca

ULTRASSONOGRAFIA EM ASCENSÃO
A ultrassonografia está em constante crescimento, passando por melhores qualidades de imagem e mais tecnologia nos equipamentos, aponta Solange. “A área da ultrassonografia gestacional e a utilização da ferramenta Doppler são áreas de crescimento muito importantes na medicina veterinária e cada vez mais utilizados pelos profissionais da ultrassonografia em pequenos animais. Atualmente temos novas tecnologias que ainda estão sendo implementadas como a elastografia, que avalia a consistência dos tecidos e pode trazer informações sobre fibrose, esteatose e neoplasias e o contraste de microbolhas que pode ajudar na detecção mais precisa de lesões”, detalha a médica-veterinária.

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“Os serviços que estão em alta são os mais especializados e os equipamentos também, uma vez que você precisa de equipamentos com mais tecnologia para executar um exame com maior qualidade” diz Cibele Carvalho, do NAUS


Cibele Carvalho, diretora executiva e científica do Núcleo de Aperfeiçoamento em Ultrassonografia (NAUS), aponta que tem notado uma mudança no mercado há alguns anos, principalmente nos últimos 5 anos. “Ele tem se mostrado mais agressivo, pois as pessoas estão procurando mais os serviços de diagnóstico complementar. A medicina veterinária também está evoluindo, fazendo com que esta área evolua junto com ela. Então, os serviços que estão em alta são os mais especializados e os equipamentos também, uma vez que você precisa de equipamentos com mais tecnologia para executar um exame com maior qualidade. Hoje os equipamentos de ponta são os mais procurados e utilizados”, diz Cibele.

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“O diagnóstico por imagem não voltará a ser um mero serviço. Houve um boom de novos equipamentos e uma diminuição no custo de aquisição deles” afirma Marcus Feliciano, Professor Doutor na USP


O médico-veterinário Marcus Feliciano, que é Professor Doutor da Universidade de São Paulo USP FZEA na área de Diagnóstico por Imagem concorda, e aponta que todas as modalidades do segmento estão em alta e continuarão assim. “O diagnóstico por imagem não voltará a ser um mero serviço. A área só tende a se fortalecer cada vez mais. Houve um boom de novos equipamentos no mercado e uma diminuição no custo de aquisição, e isso tem favorecido a implementação de aparelhos de ultrassom de última geração e radiologia digital no dia a dia do vet”, completa Marcus.
Rômulo Braga, sócio e coordenador da radiologia do CRV Imagem, do Rio de Janeiro-RJ, corrobora que os serviços e equipamentos do setor estão em alta. “A tecnologia evoluiu muito para equipamentos mais leves, portáteis, de ótimo rendimento, e nos permite realizar exames com muito mais qualidade, mais rápidos e facilmente obtidos, e de pronta acessibilidade e comunicação. A telerradiologia permite consultoria em tempos recordes, com eficácia e acurácia por profissionais especializados idôneos e avalizados. A inteligência artificial já oferece análises baseadas em aprendizado de máquina, conhecimento de grandes bases de dados, reconhecimento de padrões, ferramentas mais precisas e eficientes que as analógicas. Entretanto, a tomada de decisão, a humanização da abordagem dos clientes e pacientes, e a compreensão mais holística e integral e suas implicações psicossociais, culturais e econômicas de cada caso, demandam uma empatia que a máquina não dispõe e não pode ser deixada de lado por nós, profissionais e médicos-veterinários, nem permitir um sistema que fortalece a perda da sensibilidade e compaixão na medicina”, aponta Rômulo.

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“A telerradiologia permite consultoria em tempos recordes, com eficácia e acurácia por profissionais especializados idôneos e avalizados” comenta Rômulo Braga, da radiologia do CRV imagem


Para Paulo Garcia, que tem 23 anos de experiência em Ultrassonografia Veterinária, a ultrassonografia evoluiu muito nesses últimos 20 anos. “Hoje vamos muito além do exame abdominal – temos a ultrassonografia cervical, ocular, músculo-esquelética, fazemos, rotineiramente, procedimentos intervencionistas guiados pelo ultrassom; as tecnologias avançaram, atualmente a ultrassonografia contrastada e a elastografia já fazem parte do rol de exames na medicina de pequenos animais”, lista.

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“As tecnologias avançaram, e a ultrassonografia contrastada e a elastografia já fazem parte do rol de exames na medicina de pequenos animais” comenta Paulo Garcia, palestrante da área de Ultrassonografia


Gabriela Campos Suzano coordenadora e professora da pós-graduação Presencial e Semipresencial de Diagnóstico por Imagem do Instituto Brasileiro de Veterinária (IBVET), concorda, e diz que a novidade da vez na ultrassonografia, além dos exames de especialidades como a ultrassonografia articular, ocular, cervical e transcraniana, com certeza são os exames específicos como a elastografia e os exames contrastados. “O exame ultrassonográfico contrastado por microbolhas está vindo para ficar e, dependendo do caso, desbancar os procedimentos invasivos, diminuindo o risco aos nossos pacientes e nos proporcionando maior acuidade diagnóstica”, revela.

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“O exame ultrassonográfico contrastado por microbolhas está vindo para ficar e, dependendo do caso, desbancar os procedimentos invasivos, diminuindo riscos” revela Gabriela Campos Suzano, coordenadora e professora do IBVET

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
Fabiano de Granville Ponce, cofundador da Hovet Pompéia e Commercial Director da VetFamily Brasil, aponta que a chegada avassaladora do ChatGPT, ferramenta on-line de IA, tem gerado muitos debates na Veterinária e traz grandes avanços, especialmente ao setor de imagem. “Está chegando no Brasil uma ferramenta de Inteligência Artificial que oferece, ao médico-veterinário de pets, auxílio em laudos de Raio X em poucos minutos: o veterinário gera a imagem a partir de seu aparelho de Raio X, na clínica ou no hospital veterinário, envia para a nuvem e, em poucos minutos, recebe um parecer. Uma importante melhoria na qualidade assistencial, seja ajudando o radiologista em um laudo mais acurado, seja ajudando o clínico plantonista durante a madrugada. Indo além: pode ser também uma importante ferramenta de apoio àqueles profissionais que laudam cerca de 20, 30 casos por dia. Também no segmento de diagnóstico, equipamentos de mensuração de eletrólitos, gasometria e bioquímicos disponibilizam resultados acompanhados por uma impressão diagnóstica proveniente de Inteligência Artificial”, exemplifica.

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“Está chegando no Brasil uma ferramenta de IA que oferece, ao veterinário de pets, auxílio em obter laudos de Raio X em poucos minutos” diz Fabiano de Granville, cofundador do Hovet Pompéia

Fernando concorda com Fabiano, e acredita que o divisor de águas dos próximos tempos será a implantação da IA para auxiliar os laudos e organizar as filas de atendimento. “Esse assunto ainda é polêmico, controverso e está em alta, mas acredito que se utilizada de forma correta e ética, a IA trará crescimento para os imaginologistas”, aponta Fernando.
Alex também faz uma previsão sobre a chegada da Inteligência Artificial na área de Diagnóstico por Imagem da Medicina Veterinária: “as grandes novidades no setor de imagem devem envolver IA. Softwares cada vez mais confiáveis capazes de ajustar técnica, imagens e até emitir parecer sobre elas devem invadir o mercado vet nos próximos anos. Isso aponta para uma grande disruptura em tudo que conhecemos na área de diagnóstico por imagem. Há quem diga que serão apenas ferramentas para ajudar os radiologistas, outros acreditam que isso substituirá completamente a interpretação humana. Saberemos isso muito em breve”, finaliza Alex.