Avanços da Medicina Veterinária aumentaram a expectativa de vida dos cães, mas especialista alerta que longevidade depende de prevenção, alimentação adequada e acompanhamento veterinário

Companheiros inseparáveis de milhões de famílias brasileiras, os cães conquistaram um novo espaço dentro dos lares. Hoje, além de animais de estimação, são considerados membros da família e recebem uma rotina de cuidados cada vez mais completa. No Dia Mundial do Cão, celebrado em 26 de agosto, especialistas reforçam que os avanços da Medicina Veterinária permitiram aumentar significativamente a expectativa de vida desses animais, mas destacam que envelhecer com qualidade depende de prevenção.
Segundo o Instituto Pet Brasil (IPB), o Brasil possui aproximadamente 68 milhões de cães, consolidando-se como um dos países com a maior população canina do mundo. Esse cenário impulsiona também o crescimento da procura por serviços veterinários especializados, exames preventivos, vacinação, nutrição clínica e medicina diagnóstica.
Para o médico-veterinário e diretor-geral da Faculdade de Medicina Veterinária Qualittas, Francis Flosi, o maior desafio atualmente não é apenas fazer os cães viverem mais, mas garantir que envelheçam com saúde.
“Hoje observamos cães vivendo 15, 16 e até mais de 18 anos, algo muito menos comum há algumas décadas. Esse aumento da longevidade é resultado da evolução da Medicina Veterinária, da vacinação, da alimentação de melhor qualidade e do maior comprometimento dos responsáveis pelos animais.”
Prevenção continua sendo o melhor tratamento
Assim como acontece na medicina humana, a prevenção é considerada a principal aliada da saúde dos cães.
Consultas periódicas permitem identificar doenças ainda no início, aumentando as possibilidades de tratamento e reduzindo complicações futuras.
Entre os principais cuidados recomendados pelos especialistas estão:
- vacinação completa;
- controle de pulgas, carrapatos e verminoses;
- alimentação balanceada;
- controle do peso corporal;
- atividade física regular;
- higiene bucal;
- exames laboratoriais preventivos;
- check-up anual (ou semestral para cães idosos).
“Muitas doenças cardíacas, renais, endócrinas e até alguns tipos de câncer podem ser identificados antes do aparecimento dos sintomas quando o animal realiza acompanhamento preventivo”, explica Francis Flosi.
Obesidade preocupa especialistas
Entre os problemas que mais crescem na população canina está a obesidade.
O excesso de peso aumenta o risco para diabetes, doenças articulares, alterações cardiovasculares e redução da expectativa de vida.
Segundo Francis Flosi, alimentação inadequada e sedentarismo são os principais fatores.
“Muitos responsáveis demonstram carinho oferecendo alimentos fora da dieta ou excesso de petiscos. O resultado pode ser justamente o contrário do esperado, comprometendo a saúde e reduzindo a qualidade de vida do animal.”
O envelhecimento exige novos cuidados
Com o aumento da expectativa de vida, cresce também a incidência de doenças relacionadas ao envelhecimento.
Cardiopatias, insuficiência renal, alterações hormonais, câncer, artrose e declínio cognitivo estão entre os principais desafios da Medicina Veterinária moderna.
“O acompanhamento do cão deve mudar conforme cada fase da vida. Filhotes, adultos e idosos possuem necessidades completamente diferentes”, afirma Flosi.
Um novo lar para toda a vida
O Dia Mundial do Cão reforça também a importância da adoção responsável e do compromisso com a vida animal. Adotar é oferecer muito mais do que um lar: é garantir proteção, alimentação adequada, cuidados veterinários, segurança, afeto e respeito durante todas as fases da vida. A decisão deve ser consciente e considerar a rotina e as condições da família para acolher o animal, evitando que uma nova adoção se transforme, futuramente, em mais um caso de abandono.



