Acessibilidade dos tutores no uso de anticorpos para a FEL D 1 no controle de alergias causadas por felinos no município de Guarapuava_PR

Foto: fotojagodka/iStock

▪Por Karine Cristine Almeida e Gabriela Winter Gindri

RESUMO

O anticorpo IgY neutraliza a principal proteína causadora de alergias em gatos, reduzindo a sua presença no ambiente. Essa abordagem busca oferecer uma solução mais segura e eficaz para tutores alérgicos. O trabalho objetiva descrever dados coletados referente a tutores que possuem alergias aos felinos, compreendendo a problemática dessa interação e visando apresentar o uso do anticorpo IgY contra a Fel d 1, analisando se é uma solução viável para o tutor e para o animal. A pesquisa foi realizada de forma online por método não-probabilísticos convencional, tratando os resultados de forma quantitativa e qualitativa.

Palavras-chave: Alérgenos. Gatos. Anticorpo IgY.

ABSTRACT

The IgY antibody against Fel d 1 neutralizes the main protein that causes allergies in cats, reducing its presence in the environment. This approach seeks to offer a safer and more effective solution for allergic guardians. The objective work describes data found regarding guardians who have allergies to cats, understanding the problem of this interaction and presenting the use of the IgY antibody against Fel d 1, analyzing whether it is a viable solution for the guardian and the animal. The research was conducted online using a conventional non-probabilistic method, treating the results quantitatively and qualitatively.

Keywords: Allergens. Cats. IgY antibody.

INTRODUÇÃO

Por muito tempo, acreditou-se que a alergia a felinos era decorrente dos pelos desses animais, fazendo com que muitos tutores optassem por desfazer-se do animal na falsa expectativa de melhorar sua condição clínica. Todavia, estudos recentes desmistificaram a ação direta dos pelos nos quadros alérgicos, sendo estes apenas fômites que transportam o real  desencadeador alérgico, a proteína Fel d 1 (Purina, 2023).
A Fel d 1 é uma enzima inflamatória, secretada principalmente pelas glândulas salivares dos gatos e encontrada em grande quantidade nos pelos desses animais, devido a característica autolimpante dessa espécie (Wandalsen et al, 2020).Por ser extremamente leve, pode ser carregada pelos pelos que caem do animal e até mesmo pelo vento, espalhando-se por vários locais (Purina, 2023).
Dessa forma, constatou-se que as alergias causadas pela Fel d 1 podem sensibilizar qualquer pessoa em qualquer ambiente, mesmo os tutores que se desfizeram de seus gatos. A partir disso, estudos buscaram encontrar soluções que interferissem na ação dessa enzima, obtendo resultados satisfatórios do anticorpo neutralizante IgY, extraído de ovos de galinhas, possibilitando sua adição na composição de alimentos oferecidos aos gatos que, ao entrar em contato com a Fel d 1, inativa sua ação inflamatória, como descrito por Scheraiber et al. Purina, 2023).
Atualmente, há no mercado uma ração que contêm esses anticorpos em sua formulação, mas que, de acordo com a presente pesquisa, não é acessível financeiramente a muitos tutores e não se adapta a todos os felinos, surgindo a necessidade de buscar outras opções de produtos que se adequem às condições exigidas (Allemand, 2023).

DESENVOLVIMENTO
Sobre a Fel d 1 e o Anticorpo IgY

A alergia causada pelos gatos pode derivar de 8 proteínas que são secretadas pelas glândulas salivares e sebáceas do gato, todavia, 95% das alergias são decorrentes da enzima Fel d 1 (Purina, 2023).
Essa enzima é produzida e excretada por todos os gatos, independente de sexo, raça, idade, peso, presença e comprimento dos pelos, sendo produzida em quantidades variáveis pelo felino. Há controvérsias quanto a epidemiologia da produção dessa enzima, sendo que alguns estudos sugerem que machos de pelo escuro são predispostos a secretar uma maior quantidade de Fel d 1, enquanto fêmeas das raças Siberiano, Russo Azul, Devon Rex, Cornish Rex e Abissínio produzem pouca quantidade dessa proteína. Os estudos também descrevem que machos castrados produzem menos enzimas alérgicas quando comparados com não castrados (Wandalsen et al, 2020). É válido ressaltar também que as alergias podem estar associadas a um determinado período do ano, sendo a primavera e o outono as estações em que ocorre a maior perda de pelos pelo felino, carreadores da Fel d 1 no ambiente (Allemand, 2023).
Se tratando da função da Fel d 1, ainda não existem resultados concretos, mas pesquisas indicam que se trata de uma proteína responsável pela comunicação entre os gatos, agindo como feromônio na atração sexual e demarcação territorial (Purina, 2023).
Por ser uma molécula extremamente leve e facilmente aderida a superfícies, a Fel d 1 pode ser encontrada em diversos lugares, incluindo aqueles em que não há presença de gatos, pois está presente no ar de forma solta ou aderida aos pelos e caspas que se soltam naturalmente do gato (Wandalsen et al, 2020).
Essa mesma pesquisa realizada por Wandalsen et al (2020) descreve que a higienização do ambiente em que o gato fica pode ajudar apenas de forma rápida e momentânea, aproximadamente uma semana, bem como dar banhos frequentes no gato, onde não ocorre redução significativa dos níveis de alérgenos, já que a Fel d 1 é frequentemente secretada e liberada no ambiente.
Em relação ao anticorpo IgY, os estudos realizados pela Purina (2023) demonstram que a adição desse neutralizante na ração do felino tende a reduzir em média 47% da Fel d 1, possibilitando a redução das alergias a partir da terceira semana de uso.
Esse anticorpo é naturalmente produzido pelo sistema imune de galinhas que convivem com gatos, como em fazendas, e é transferido aos ovos (Purina, 2023). A extração desse anticorpo, é realizada em laboratório em todos os seus processos, desde a imunização das galinhas com esse antígeno, tornando seus ovos imunoestimulados, até a seleção, purificação e utilização da proteína IgY a partir da gema desses ovos. Ao chegar à saliva do felino, o IgY se une a Fel d 1 e neutraliza a sua ação alérgica, mas sem modificar a fisiologia e produção dessa enzima, sendo seguro para o consumo do pet (Wandalsen et al, 2020).
Como desvantagem apresentada pela ração desenvolvida para esse propósito de redução de alergias, destacam-se a alto valor empregado e a delimitação para o uso de felinos adultos que não fazem uso de dietas específicas, como as rações terapêuticas, e para animais castrados (Purina, 2023).

RESULTADOS E DISCUSSÕES

Uma a cada cinco pessoas é afetada por alergias decorrentes de gatos, em percentual, correspondem entre 7 e 25% da população (Allergy Insider, 2022). Dentre os participantes dessa pesquisa, 76% é tutor atualmente, enquanto os demais 24% já tiveram gatos, sendo que 62% são ou eram alérgicos ao animal, confirmando a hipótese gerada antes das pesquisas de que há vários tutores ou antigos tutores que enfrentam ou enfrentaram problemas alérgicos referentes a seus felinos.
Em relação àqueles que já foram tutores e desfizeram-se do animal por motivos de alergia, 70,6% optaram por doar o gato, 5,9% venderam e os outros 23,5% recorreram ao abandono. Dos entrevistados que atualmente são tutores, 71,1% não considera desfazer-se do gato mesmo apresentando ou vindo a apresentar condições alérgicas, enquanto 24,4% doaria o gato e 4,4% optaria pela venda do mesmo. Dentre os participantes que considerariam doar ou vender o animal, 20% alegam que caso não conseguissem desfazer-se do felino realizariam o abandono do animal, enquanto que a maior parte (80%), não considera o abandono como possível alternativa. Esses dados contrariam a hipótese inicial de que grande parte da amostra optaria pela adoção, venda e até mesmo abandono em situações de alergias.
Das pessoas que cortaram vínculo com o felino, 88,2% relatam que, mesmo assim, as alergias persistiram, enquanto uma minoria de 11,8% sentiu que as alergias pararam. Tratando-se das dificuldades encontradas pelo tutor alérgico em conviver com o felino, 53,1% descreve que os sintomas aparecem mesmo sem haver contato direto com o gato, mas estando na mesma  casa, 3,1% diz que a sintomatologia ocorre quando o animal está no mesmo cômodo, mesmo sem contato, 21,9% relata que as alergias ocorrem quando o gato estava próximo, ainda que sem contato e, 21,9% alega alergias em casos de contato direto com o animal, como brincar e acariciar, confirmando os estudos propostos por Wandalsen et al (2020) de que a Fel d 1 está presente em diversos locais e pode afetar pessoas que não tenham tido contato direto com gatos.
Sobre a idade do felino quando as alergias foram desencadeadas no tutor, 64,5% era filhote com idade entre 0 a 12 meses, 22,6% caracterizava-se como júnior, entre 12 meses e 2 anos, 6,5% adulto, de 3 a 6 anos, 3,2% em idade madura, entre 7 a 10 anos, em idade senil de 11 a 14 anos não foram obtidas respostas e, 3,2% sendo com idade superior a 15 anos, enquadrado como super sênior.
No âmbito da alimentação, 68,1% faz uso de dieta específica enquanto 31,9% não segue nenhuma alimentação controlada. Nesse aspecto, a atual ração se faz inacessível à maior parte dos felinos, seja porque consomem dieta específica ou por ainda serem filhotes – já que as reações alérgicas são desencadeadas quando o pet ainda é filhote.
Dos entrevistados que são ou já foram afetados por quadros alérgicos decorrentes de gatos, 60,6% alegam ter buscado soluções para amenizar os sintomas, mas não tiveram resultado satisfatório, 21,2% buscaram alternativas que lhes deram bons resultados no controle da sintomatologia e apenas 18,2% dizem não ter buscado solução. Ainda sobre as alternativas que os tutores normalmente recorrem, destacam-se o uso de antialérgicos e anti-inflamatórios esteroidais, limpeza dos locais em que o pet fica, mantê-lo afastado do quarto do tutor e reduzir o contato, além de escovação e banhos frequentes.Uma a cada cinco pessoas é afetada por alergias decorrentes de gatos, em percentual, correspondem entre 7 e 25% da população (Allergy Insider, 2022). Dentre os participantes dessa pesquisa, 76% é tutor atualmente, enquanto os demais 24% já tiveram gatos, sendo que 62% são ou eram alérgicos ao animal, confirmando a hipótese gerada antes das pesquisas de que há vários tutores ou antigos tutores que enfrentam ou enfrentaram problemas alérgicos referentes a seus felinos.
Em relação àqueles que já foram tutores e desfizeram-se do animal por motivos de alergia, 70,6% optaram por doar o gato, 5,9% venderam e os outros 23,5% recorreram ao abandono. Dos entrevistados que atualmente são tutores, 71,1% não considera desfazer-se do gato mesmo apresentando ou vindo a apresentar condições alérgicas, enquanto 24,4% doaria o gato e 4,4% optaria pela venda do mesmo. Dentre os participantes que considerariam doar ou vender o animal, 20% alegam que caso não conseguissem desfazer-se do felino realizariam o abandono do animal, enquanto que a maior parte (80%), não considera o abandono como possível alternativa. Esses dados contrariam a hipótese inicial de que grande parte da amostra optaria pela adoção, venda e até mesmo abandono em situações de alergias.
Das pessoas que cortaram vínculo com o felino, 88,2% relatam que, mesmo assim, as alergias persistiram, enquanto uma minoria de 11,8% sentiu que as alergias pararam. Tratando-se das dificuldades encontradas pelo tutor alérgico em conviver com o felino, 53,1% descreve que os sintomas aparecem mesmo sem haver contato direto com o gato, mas estando na mesma  casa, 3,1% diz que a sintomatologia ocorre quando o animal está no mesmo cômodo, mesmo sem contato, 21,9% relata que as alergias ocorrem quando o gato estava próximo, ainda que sem contato e, 21,9% alega alergias em casos de contato direto com o animal, como brincar e acariciar, confirmando os estudos propostos por Wandalsen et al (2020) de que a Fel d 1 está presente em diversos locais e pode afetar pessoas que não tenham tido contato direto com gatos.
Sobre a idade do felino quando as alergias foram desencadeadas no tutor, 64,5% era filhote com idade entre 0 a 12 meses, 22,6% caracterizava-se como júnior, entre 12 meses e 2 anos, 6,5% adulto, de 3 a 6 anos, 3,2% em idade madura, entre 7 a 10 anos, em idade senil de 11 a 14 anos não foram obtidas respostas e, 3,2% sendo com idade superior a 15 anos, enquadrado como super sênior.
No âmbito da alimentação, 68,1% faz uso de dieta específica enquanto 31,9% não segue nenhuma alimentação controlada. Nesse aspecto, a atual ração se faz inacessível à maior parte dos felinos, seja porque consomem dieta específica ou por ainda serem filhotes – já que as reações alérgicas são desencadeadas quando o pet ainda é filhote.
Dos entrevistados que são ou já foram afetados por quadros alérgicos decorrentes de gatos, 60,6% alegam ter buscado soluções para amenizar os sintomas, mas não tiveram resultado satisfatório, 21,2% buscaram alternativas que lhes deram bons resultados no controle da sintomatologia e apenas 18,2% dizem não ter buscado solução. Ainda sobre as alternativas que os tutores normalmente recorrem, destacam-se o uso de antialérgicos e anti-inflamatórios esteroidais, limpeza dos locais em que o pet fica, mantê-lo afastado do quarto do tutor e reduzir o contato, além de escovação e banhos frequentes. Como já observado, a higienização do ambiente bem como do gato não demostrou resultados satisfatórios no controle das alergias, sendo um dos possíveis motivos para que as alergias persistissem (Allemand, 2023).
Em relação ao conhecimento dos tutores sobre o uso de produtos que contenham o anticorpo IgY, 87,8% relata não ter conhecimento, 10,2% conhece, mas nunca usou o produto e, apenas 2% conhece e faz ou fez uso do produto, confirmando a terceira hipótese de que grande parte das pessoas desconhecem o produto.
Sobre a acessibilidade, 80% dos entrevistados relatam não terem condições financeiras para fazer uso do produto, enquanto para os demais 20% a ração seria economicamente viável. Os participantes também responderam sobre o uso de hipotéticos produtos que poderiam conter o anticorpo IgY, como exemplos, sachês, petiscos e até mesmo comprimidos palatáveis, que não seriam a base da nutrição, mas comporiam a dieta do gato. Sobre esta questão, 96% alega que acharia viável financeiramente, enquanto os demais 4% optariam por não fazer uso. O valor médio mensal disponibilizado pelo tutor para o uso desses hipotéticos produtos foi de: até R$100,00 (46%), de R$100,00 à R$200,00 (46%), de R$200,00 à R$300,00 (6%) e de R$300,00 à R$400,00 (2%). Valores acima disso não foram computados.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Frente a pesquisa realizada, conclui-se sobre a necessidade de que novos produtos contendo o anticorpo IgY sejam formulados, visando atender as exigências apresentadas pelos tutores e felinos, uma vez que as pessoas estão cada vez mais conscientes de seu compromisso no cuidado ao gato, onde mesmo em situações de quadros alérgicos, optam por permanecer com o pet. Por fim, em resposta às hipóteses desenvolvidas, a pesquisa relata que grande parte dos tutores desenvolvem alergia a gatos, todavia, permanecem com eles. Também foi possível concluir que a minoria tem conhecimento do anticorpo IgY na atual ração contra a Fel d 1.

REFERÊNCIAS:

ALLEMAND, Vanice. Alergia a gatos: Verdade ou mito?. Pet Care Centro Veterinário, 2023. Disponível em: petcare.com.br/alergia-a-gatos-verdade-oumito. Acesso em: 06 ago.2024.

ALLERGY, Insider. Ração para gatos promete eliminar alergia em humanos. Thermo Fisher, 2022. Disponível em: www.thermofi sher.com/allergy/br/pt/allergen-fact-sheets/cat-dander.html super.abril.com.br/ciencia/racao-para-gatos-promete-eliminar-alergia-em-humanos. Acesso em: 06 ago. 2024.

PURINA. Alergia a gatos: todos os gatos causam alergia?. Purina, 2023. Disponível em: purina.com.br/purina/alergia-a-gatos-todos-os-gatos-causam-alergia. Acesso em: 01 ago. 2024.

WANDALSEN, G. F.; SANO, F.; SOLÉ, D. Cat allergens in respiratory allergy: current status and new perspectives. Arquivos de Asma, Alergia e Imunologia, v. 4, n. 1, 2020.

Profa. Karine Cristine Almeida
Formada em Medicina Veterinária pelo Centro Universitário Campo Real.
Mestre em Ciências Veterinárias na área de Saúde e Sanidade Animal com ênfase em Medicina Preventiva pela Universidade Estadual do Centro-Oeste – UNICENTRO.
Docente do Centro Universitário Campo Real.

Gabriela Winter Gindri
Acadêmica do 6 período de Medicina Veterinária no Centro Universitário Campo Real