Equipamento de alta tecnologia usa fluorescência como um “GPS”, permitindo melhor visualização dos tumores, incisões menos invasivas e recuperação mais rápida

procedimentos minimamente invasivos nos pets
Por Samia Malas
Imagine poder detectar pequenos cânceres não visíveis a olho nu? Essa é a proposta da torre de videocirurgia com fluorescência, um equipamento que está chegando no Brasil em 2025. A tecnologia tem resolução 4K e imagem ultra HD, recursos que possibilitam uma melhor visualização ao cirurgião, e com isso, mais segurança para a realização de procedimentos minimamente invasivos. “Diferente de cirurgias convencionais, a torre de videocirurgia proporciona uma definição anatômica que faz toda a diferença na visualização do órgão alvo, ajudando o cirurgião a ter mais precisão e a evitar traumas cirúrgicos. Do ponto de vista do paciente, o principal benefício é a recuperação mais rápida e com menos desconfortos pelo fato da cirurgia ser de mínima invasão e manipulação, e máxima visualização”, explica Dr. Fernando de Castro Figliolini, cirurgião do Nouvet, de São Paulo, um dos primeiros a oferecer a tecnologia, que já era utilizada em humanos. “A verde indocianina é conhecida desde os anos 1950, sua utilização na videocirurgia humana começou por volta de 2010 no Japão e se intensificou pelo mundo em 2020. Desde então, diversas publicações vêm sendo feitas sobre novas utilizações e sobre o seu uso ser padrão ouro para algumas técnicas cirúrgicas.
Na medicina veterinária, seu uso vem ocorrendo na Europa há cerca de 3 anos, e um pouco antes no Japão”, aponta o veterinário, que ainda explica o funcionamento do equipamento: “ele produz uma imagem com qualidade 4K e recursos de iluminação infravermelho e filtros para sua visualização. Com o uso de um contraste, o verde indocianina, o cirurgião consegue marcar tecidos específicos com cores de grande contraste: verde, azul ou preto e branco, fazendo com que o cirurgião tenha mais precisão e mais segurança nas suas decisões”.

APLICABILIDADE E CUSTOS
Com aplicação principalmente em cirurgias oncológicas, procedimentos do aparelho digestivo, sistema linfático e urinário, a tecnologia de fluorescência (ICG), permite quatro modos de visualização de imagem: monocromático, overlay em verde ou azul, e mapa de intensidade, dando ao cirurgião versatilidade e autonomia para cada tipo de cirurgia. O que possibilita enxergar elementos não visíveis a olho nu é justamente a fluorescência. A partir do uso de um contraste endovenoso, por exemplo, a tecnologia mostra a vascularização dos tecidos que remanesceram após a remoção da patologia e a viabilidade de uma cicatrização eficaz. “Esse é um grande avanço na medicina veterinária, pois vai auxiliar em muitos casos cirúrgicos complexos, em que antes não era possível a identificação visual da fonte do problema e tampouco era possível proporcionar uma recuperação tão tranquila aos animais”, complementa Dr. Fernando.
A torre de vídeocirurgia com fluorescência tem um custo superior ao custo de uma torre de vídeo cirurgia convencional, diz Dr. Fernando. “Porém, sua utilização não se limita a cirurgias complexas com fluorescência, contemplando também vários tipos de cirurgias, desde castrações a cirurgias de glândulas adrenais, que ganham os benefícios da mínima invasão com mais precisão e segurança, elevando a qualidade do serviço cirúrgico como referência e aumentando sua visibilidade e rentabilidade”, acrescenta.
Para o tutor, não existe um aumento significativo do custo da cirurgia em comparação a cirurgias laparoscópicas convencionais. “Vídeocirurgias costumam ser mais caras que cirurgias abertas, porém, vale lembrar que, com a melhor recuperação, o tutor pode economizar em dias de internação, medicações, e no benefício emocional de não ficar tanto tempo longe e preocupado com seu pet”, ressalta.
Porém, o veterinário destaca que a viabilidade dessa tecnologia no centro cirúrgico depende de profissionais capacitados. “E esse é um cenário que vem se tornando realidade no Brasil, com mais profissionais buscando se desenvolver na área e com cursos de alta qualidade”, finaliza.

Fernando de Castro Figliolini
Médico-veterinário no Nouvet e sócio proprietário da VídeoVet, especializada em endoscopia e videocirurgia de pequenos animais e animais silvestres. Ele é graduado pela FMU, com pós-graduação em clínica e cirurgia de animais silvestres, e em endoscopia veterinária, ambas na ANCLIVEPA. Desde 2019, Fernando é professor do curso de endoscopia veterinária da ANCLIVEPA SP



