Utilização da meibografia como diagnóstico complementar às disfunções do filme lacrimal


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Por Victoriana K.A.Silva¹ Marcelo S. Freire ¹

¹ Eye Health Oftamologia Veterinária

Utilização da meibografia como diagnóstico complementar às disfunções do filme lacrimal

RESUMO

Atualmente a meibografia tem sido utilizada como uma nova ferramenta diagnóstica útil na avaliação da morfologia das glândulas meibomianas em pálpebras normais e doentes, auxiliando no diagnóstico e acompanhamento dos casos de ceratoconjuntivite seca em cães. A meibografia por si só torna-se insuficiente para diagnóstico das afecções palpebrais e doenças de superfície ocular, deve portanto ser incluído no exame de superfície ocular combinada com outros parâmetros clínicos adicionais, tornando o diagnóstico menos subjetivo, principalmente quando se trata da ceratoconjuntivite seca qualitativa/evaporativa, cuja classificação, diagnóstico e terapia, tornam-se por vezes um desafio.

Palavras-Chave: meibografia, ceratoconjutivite seca, cães

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ABSTRACT

Currently, meibography has been used as a newdiagnostic tool useful in evaluating the morphology of the meibomian glands in normaleyelids and diseased, aidind in the diagnosis and monitoring cases of keratoconjuntivitis sicca in dogs. The meibography alone is insufficient for the diagnosis of eyelid affections and ocular surface diseases, it should therefore be included in the ocular surface examination combined with other additional clinical parameters, making the diagnosis less subjective, especially when it comes to qualitative keratoconjunctivitis sicca / evaporative, whose classification, diagnosis and therapy sometimes become a challenge.

Key Words: meibography, dogs, keratoconjunctivitis sicca

A ceratoconjuntivite Seca é uma doença multifatorial da superfície ocular caracterizada por uma perda da homeostase do filme lacrimal, e acompanhada por sintomas oculares, nos quais a instabilidade do filme lacrimal e hiperosmolaridade, inflamação e dano da superfície ocular e anormalidades neurossensoriais desempenham papéis etiológicos (Craig, 2017)

O filme lacrimal é composto por uma camada lipídica superficial secretadas pelas glândulas meibomianas sobrepostas a uma camada muco aquosa. A blefarite tem sido citada como uma das causas dessa instabilidade do filme lacrimal e relaciona-se a um amplo grupo de doenças que causam inflamação da margem palpebral e superfície ocular adjacente, essas anomalias constituem sinais clínicos variáveis que resultam na síndrome do olho seco, ou ceratoconjuntivite seca qualitativa ou evaporativa (Nichols, 2011)

As blefarites podem causar alterações em glândulas de meibômio, mas alterações de glândulas de meibômio podem ser primárias e por si só causar as alterações em filme lacrimal.

As glândulas meibomianas são glândulas sebáceas localizadas nas placas tarsais que sintetizam e secretam ativamente lipídeos e proteínas, direcionadas às margens palpebrais superiores e inferiores imediatamente anteriores às junções mucocutâneas. Esses lipídeos espalham-se sobre o filme lacrimal e promovem estabilidade e assim evitam a evaporação. (Nichols, 2011)

É possível observar os orifícios das glândulas meibomianas quando a conjuntiva não é pigmentada através da biomicroscopia com lâmpada de fenda, porém ainda de forma limitada, o desenvolvimento da meibografia infravermelha permite a observação não invasiva das glândulas meibomianas facilitando a avaliação morfológica das glândulas em humanos e em animais. (Kitamura, 2019)

Anormalidades funcionais nas glândulas de meibômio podem ser subclínicas, inicialmente, essas disfunções podem estar relacionadas principalmente a obstruções dos ductos das glândulas. A consequência de lipídeos insuficientes é a evaporação, hiperosmolaridade e instabilidade do filme lacrimal, aumentando o crescimento bacteriano na margem palpebral. (Nichols, 2011) (Pondelis, 2020)

Existe correlação das reduções de glândulas de meibômio, tempo de ruptura do filme lacrimal, expressibilidade de secreção e osmolaridade. (Fineide, 2021)

A redução do filme lacrimal associado ao aumento da evaporação e redução da retenção do fluido lacrimal provavelmente exacerba os efeitos da redução do volume lacrimal em animais, já diagnosticados com ceratoconjuntivite seca. (Kitamura, 2019), ou seja, cães com menor produção quantitativa de lagrimas, podem também apresentar deficiência qualitativa, e instabilidade lacrimal.

Como parte integrante da prática oftalmológica, a meibografia é uma ferramenta útil na avaliação clínica, através dela é possível verificar a extensão de danos anatômicos com perda de glândulas meibomianas, com isso monitorar e estadiar a progressão da ceratoconjuntivite seca, e potencialmente personalizar o tratamento individual (AlDarrab, 2017) (Fineide, 2021)

A meibografia pode ser uma ferramenta diagnóstica útil na avaliação da morfologia das glândulas meibomianas em pálpebras normais e doentes. A ausência, distorção e encurtamento da glândula são ítens possíveis de serem avaliados. E encontram-se significativamente aumentados em pacientes com blefarite e olho seco. (AlDarrab, 2017)

A meibografia por si só torna-se insuficiente para diagnóstico das afecções palpebrais e doenças de superfície ocular, deve portanto ser combinada com outros parâmetros clínicos adicionais. (Fineide, 2021)

Incluído no exame de superfície ocular, auxiliando no diagnóstico dos casos de ceratoconjuntivite seca, somados ao exame de Tempo de ruptura do

filme lacrimal, teste de Schirmer, avaliação da superfície ocular com lâmpada de fenda, medida da altura do menisco lacrimal, testes de fluoresceína ou lissamina verde e um histórico completo, tornam o diagnóstico menos subjetivo, principalmente quando se trata da ceratoconjuntivite seca qualitativa/evaporativa, cuja classificação, diagnóstico e terapia, tornam-se por vezes um desafio.

Os equipamentos de meibografia disponíveis para uso na veterinária atualmente, são equipamentos de não contato, possuem lâmpadas equipadas com um filtro de transmissão de luz com comprimento de onda infra vermelho, acoplada a uma câmara de vídeo, para iluminação da placa tarsal. As técnicas de infra vermelho aumentam a visibilidade da morfologia das glândulas. (Sartori, 2020) (Kitamura, 2019)

Nas meibografias de não contato, as glândulas são visualizadas como listras hiperlucidas perpendiculares a margem da pálpebra, é importante saber qual componente é hiperreflexiva, para melhor avaliação, não se sabe se a intensidade da reflexão de infra vermelho está correlacionada à alteração de secreção, mas suspeita-se que não há mudanças devido à relativa pouca energia associada ao comprimento de luz alto, como infravermelho. (Pult, 2012). São fáceis de serem manipuladas, confortável para o paciente e permite arquivo de imagens (Pondelis, 2020) (Fineide, 2021)

As principais anormalidades da morfologia das glândulas reveladas pela meibografia infravermelha incluem dilatação cística, oclusão das aberturas ductais, encurtamento da glândula (perda parcial) e perda total. Esses sinais condizem com os achados histopatológicos nos locais que apresentaram anormalidades nas glândulas de meibômio incluíram, dilatação ductal e ruptura do tecido da glândula, perda lobular e ductal de glândulas, lesões vacuolares no tecido conjuntivo, presença de leve aumento de fibroblastos em proliferação, infiltrações de células plasmáticas e linfócitos resultando em alterações morfológicas apresentadas pela meibografia realizadas em cães da raça Shihtzu diagnosticados com Ceratoconjuntivite Seca. (Kitamura, 2020)

Sendo a camada lipídica um componente importante para estabilidade do filme lacrimal, é esperado um decréscimo na qualidade lacrimal quando há perda de 30% de glândulas meibomianas, e essas perda parecem ser irreversíveis. (Pult, 2012)

Concluindo, a meibografia auxilia no diagnóstico dos casos de ceratoconjuntivite seca, somados ao exame de Tempo de ruptura do filme lacrimal, teste de osmolaridade, teste de Schirmer, avaliação da superfície ocular com lâmpada de fenda, medida da altura do menisco lacrimal, testes de fluoresceína ou lissamina verde e um histórico completo, tornando o diagnóstico menos subjetivo, principalmente quando se trata da ceratoconjuntivite seca qualitativa/evaporativa, cuja classificação, diagnóstico e terapia, tornam-se por vezes um desafio.

Figura 1. Imagem de meibografia de paciente em tratamento para ceratoconjuntivite seca quali-quantitativa com pouca distorção e perda de 31 %das glândulas meibomianas em OD e 68% de perda de glândulas de meibômio em OS. (arquivo Eye Health OftalmologiaVeterinária)
Figura 3. Imagem de meibografia de paciente com pouca distorção e perda de glândulas 25% em OD e imagem de glândulas de meibomio bem posicionadas com perda discreta 8% em OS (arquivo Eye Health Oftalmologia Veterinária)

Referência Bibliográficas

AlDarrab, A.; Alrajeh, A.M.; Alsuhaibanic, A.H. Meibography for eyes with posterior blepharitis. Saudi J. Ophthalmol., 2017 Jul-Sep; 31 (3): 131-134 Craig, J.P.; Nichols, K.K.; Akpek, EK, Caffery B,; Dua H.S.; Joo C.K.; et al. TFOS DEWS II definition and classification report. Ocular Surface. 2017;15:276–83.
   Fineide, F.; Arita, R; Utheim, T. The role of meibography in ocularsurface diagnostics: a review. Ocular Surface, 2021, Jan (19): 133-144
      Kitamura, Y.; Maehara, S.; Nakade, T.; Miwa, Y.; Arita, R; Iwashita, H.; Saito, A. Assessment of meibomian gland morphology by noncontact infrared meibography in Shih Tzu dogs with or without keratoconjunctivitis sicca Veterinary Ophthalmology. 2019 Nov; 22(6): 744–750.

Kitamura, Y.; Arita, R.; Miwa, Y.; Iwashita, H.;Saito, A. Histopathologic changes associated with Meibomian Gland dropout in a dog. Veterinary Ophthalmology. 2020 May;23(3):575-578.
    Nichols, K.K.; Foulks, G.N.; Bron, A.J.; Glasgow, B.J.; Dogru, M.; Tsubota, K.; Lemp, M.A.; Sullivan, D.A. The International Workshop on Meibomian Gland Dysfunction: Executive Summary. Investigative Ophthalmology & Visual Science, 2011, 52 (4)
    Pondelis, N.; Dieckmann, G.M.; Jamali, A.; Kataguiri, P.; Senchyna, M. Hamrah, P. Infrared meibography allows detection of dimensional changes in meibomian glands following intranasal neurostimulation. Ocular Surface. 2020, Jul;18(3):511-516.          
   Pult, H.; Nichols, J. J.. A Review of Meibography. Optometry and Vision Science. 2012; 89(5), E760–E769.
      Sartori, R.; Peruccio. A Case of Sebaceous Adenitis and Concurrent Meibomian Gland Dysfunction in a Dog. Veterinary Science. 2020 Apr 2;7(2):3

M.V. Marcelo Freire - CRMV/SP 13592

Pós-graduado em Oftalmologia Veterinária pela Anclivepa-SP em 2010. Curso de Facoemulsificação - Hospital Sírio Libanês - 2011 Curso de Gestão e Marketing, 2012 Atualização em Cirurgia e Microcirurgias Oftálmicas, Genov, 2016 Curso teórico-prático de Facoemulsificação em cães e gatos, Buenos Aires, 2017 Resgate em Oftalmologia Veterinária teórico-prático, Genov, 2019 Curso Avançado de Catarata, Qualittas, 2020. Participação em congressos nacionais e internacionais

M.V. Victoriana Khadigia - CRMV/SP 47.445

Graduado em Medicina Veterinária pela Universidade Pós-graduanda em Oftalmologia Veterinária, Qualittas Curso teórico-prático de Oftalmologia Veterinária de pequenos animais, Vetmasters-SP, I Eye camp- Retina II Eye camp - Oftalmologia de Animais Selvagens III Eye camp - Curso avançado de cirurgia de córnea

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