Psico-oncologia: quimioterapia sob a perspectiva do tutor


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Por Karem Steffens Brondani e Dra. Luciane Cristina Vieira

Psico-oncologia: quimioterapia sob a perspectiva do tutor

Psycho-oncology: Chemotherapy from tutor’s perspective.

RESUMO

O avanço nos diagnósticos e tratamentos na medicina veterinária, assim como o maior cuidado das pessoas em relação aos animais de companhia, contribuem para aumentar a longevidade destes. Dessa forma, muitas doenças que surgem em faixas etárias mais avançadas começaram a se manifestar, entre elas o câncer. Diante do diagnóstico do animal, muitos tutores que já tiveram experiências com câncer em familiares e amigos acabam projetando essas vivências para a situação atual. Com base nisso, o presente artigo apresenta os resultados de uma pesquisa que avaliou as experiências prévias de tutores de animais de companhia em tratamento quimioterápico no serviço de oncologia de um hospital veterinário. Diante dos resultados encontrados, podemos concluir que a maioria dos tutores atendidos no serviço de oncologia tem uma ideia pré-concebida sobre a quimioterapia, baseada em suas experiências prévias. Entretanto, tais experiências não interferiram nas expectativas diante do atual tratamento.  Além disso, a maioria dos tutores que tinham expectativas positivas em relação ao tratamento tiveram suas expectativas confirmadas e quase a totalidade dos tutores participantes receberam apoio durante o tratamento do seu animal, principalmente advindo da família e da equipe médica veterinária.

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Palavras-chave: Câncer. Oncologia veterinária. Quimioterapia. Experiências prévias. Vínculo ser humano-animal.

ABSTRACT

The advances in diagnosis and treatments in veterinary medicine, as well as the greater care of people about their pets, contribute to increase their longevity. Thus, many diseases that appear in older age groups have started to manifest, including cancer. Faced with the diagnosis of the animal, many tutors who have already had cancer experiences in family and friends end up projecting these experiences to the current situation. Based on this, this article presents the results of a research that evaluated the previous experiences of tutors whose pets were in chemotherapy treatment on the oncology service of a veterinary hospital. Based on the results that were found, we can conclude that most tutors seen at the oncology service have a preconceived idea about chemotherapy, based on their previous experiences. However, such experiences did not interfere with expectations regarding the current treatment. In addition, most tutors who had positive expectations regarding the treatment had their expectations confirmed and almost all participating tutors received support during the treatment of their animal, mainly from the family and the veterinary medical team.

Keywords: Cancer. Veterinary oncology. Chemotherapy. Previous experiences. Human-animal bond.

1 – INTRODUÇÃO

O avanço nos diagnósticos e tratamentos na medicina veterinária, assim como o maior cuidado das pessoas em relação aos animais de companhia, contribuem para aumentar a longevidade destes. Dessa forma, muitas doenças que surgem em faixas etárias mais avançadas começaram a se manifestar, entre elas o câncer. Como os animais têm assumido um papel de destaque nas famílias, passando de protetores da casa para integrantes importantes do meio familiar, o apego com eles tem crescido e muitos deles são considerados como filhos pelos seus tutores. Portanto, a possibilidade do desenvolvimento de uma neoplasia nestes animais se torna uma grande preocupação. Assim, ao se depararem com tal diagnóstico, os tutores têm buscado alternativas de tratamento com o objetivo de aumentar a sobrevida e a qualidade de vida dos seus companheiros. A quimioterapia surge como uma das opções disponíveis para o tratamento.1

Observa-se que desde o diagnóstico da neoplasia os tutores apresentam sensações de angústia, medo, esperança e incertezas, e tais sentimentos se exacerbam quando é indicado o tratamento quimioterápico. Muitos tutores já tiveram experiências com câncer em familiares e amigos, evidenciando os diversos efeitos colaterais que costumam se manifestar em humanos, e acabam projetando essas vivências para a situação atual. Apesar de todas essas preocupações, a quimioterapia nos animais de companhia nem sempre apresenta alta toxicidade quando administrada nas doses recomendadas. Muitos tutores, inclusive, relatam experiências positivas no decorrer do tratamento.2

Em alguns casos, o paciente em tratamento quimioterápico apresenta efeitos colaterais que devem ser manejados pelo veterinário, na tentativa de manter o tratamento quimioterápico sem reduzir a qualidade de vida do paciente. Diante disso, o oncologista trabalha para equilibrar três variáveis importantes: a toxicidade quimioterápica, a resposta do câncer ao tratamento e as expectativas e satisfação do tutor com os cuidados prestados.2

2 – OBJETIVOS

O objetivo do estudo desenvolvido foi avaliar as experiências prévias com quimioterapia de tutores cujos cães e gatos realizaram tratamento quimioterápico no Serviço de Oncologia de um hospital veterinário. Mais especificamente, pretendeu-se verificar a existência de experiências prévias dos tutores com casos de câncer em seres  humanos e/ou outros animais; avaliar a diferença na tomada de decisão, expectativa e aceitação do tratamento entre  tutores que já vivenciaram tratamento quimioterápico de algum familiar e/ou animal e aqueles  que nunca passaram por esta situação; avaliar se o resultado da quimioterapia condiz com a expectativa do tutor e se há  diferença entre os tutores que tiveram experiências anteriores com casos oncológicos em  relação aos que não tiveram; e também conhecer a rede de apoio dos tutores no contexto do tratamento quimioterápico dos seus  animais.

3 – METODOLOGIA

O estudo desenvolvido foi quantitativo do tipo transversal, e a amostra foi composta por 40 tutores cujos cães e gatos realizaram tratamento quimioterápico no hospital veterinário durante o ano de 2020. Os participantes foram contatados através do número de telefone presente no prontuário do paciente e estavam cientes do diagnóstico e tratamento realizado pelo seu animal, sendo que aceitaram participar voluntariamente da pesquisa.

Após o primeiro contato realizado por telefone, foi enviado um questionário para cada participante e o termo de consentimento livre e esclarecido, o qual registrava o consentimento do tutor em participar da pesquisa. O questionário utilizado foi elaborado pela própria pesquisadora, baseado no questionário utilizado na pesquisa de Ferreira et al. (2017) 3, composto por sete questões objetivas. Não foi feita diferenciação entre tutores de animais que já haviam terminado o tratamento ou tutores de animais que haviam evoluído para óbito, pois todas essas percepções foram consideradas importantes para o estudo.

4 – RESULTADOS E DISCUSSÃO

4.1- Experiências prévias com quimioterapia

A primeira questão do estudo indagou aos participantes se já haviam passado pela experiência do tratamento quimioterápico previamente. De todos os tutores que participaram, 32,5% afirmaram que não haviam experienciado essa situação, sendo o tratamento atual do seu animal o primeiro contato com tratamento quimioterápico. Dos 67,5% que já haviam passado por essa situação, 55% relataram ter acompanhado o tratamento de familiares, 40% o tratamento de algum animal de companhia e 5% relataram experiência própria com a quimioterapia.

A partir desses resultados, foi possível observar que a maioria dos tutores atendidos no serviço de oncologia manifestou ter uma ideia pré-concebida sobre a quimioterapia, baseada em suas experiências prévias. O estudo de Vieira (2019)4, que analisou as estratégias de enfrentamento utilizadas por tutores de animais com câncer, verificou que os tutores entrevistados buscaram similaridades nas experiências prévias com câncer, seja com familiares ou com outros animais. Nosso estudo corrobora esses achados, pois foi possível perceber que a situação já vivenciada influenciou a maneira como o tutor enxerga o adoecimento do seu animal.

Em relação ao tipo de experiência vivenciada previamente, não foram definidos quais os critérios que classificaram a experiência como positiva ou negativa, sendo que essa interpretação ficou por conta do participante. 71,4% dos participantes consideraram a experiência como tendo sido positiva e 28,6% afirmaram que a experiência prévia foi negativa (gráfico 1).

Gráfico 1: Gráfico sobre o tipo de experiência prévia dos tutores com quimioterapia. Fonte: dados coletados pela autora.

Segundo Vieira (2019) 4, observou-se um medo antecipado por parte dos tutores que já haviam vivenciado situações negativas envolvendo o câncer, pois a possibilidade de ver seu animal passar pelo sofrimento já conhecido causava extrema aflição e angústia. Nossos resultados permitiram compreender que a comunicação entre o oncologista e o tutor ganha importância no sentido de esclarecer dúvidas, discutir ideias pré-concebidas e explicar a situação da forma mais clara possível. Não podemos esquecer que, para além da explicação cientificamente perfeita, a solidariedade marcada pela competência técnica científica e pela competência humana é a chave do cuidado para essa comunicação. 5

4.2 – Expectativas em relação ao tratamento quimioterápico

Quando questionados sobre como se sentiram diante da indicação do tratamento quimioterápico para os seus animais, a maioria dos tutores relatou que sentiu esperança (70%), angústia (35%) e medo (32,5%). Tais resultados são semelhantes aos apresentados no estudo de Ferreira et al. (2017)3, o qual elencou estes como os principais sentimentos relatados pelos participantes. O mesmo estudo ainda descreveu que os principais medos expostos pelos tutores foram o sofrimento associado aos efeitos adversos da quimioterapia e o óbito do animal em decorrência do tratamento. Os sentimentos de tristeza e desespero foram descritos por 27,5% e 5% dos tutores, respectivamente (gráfico 2).

Gráfico 2: Gráfico dos sentimentos vivenciados pelos tutores diante da indicação do tratamento quimioterápico para seus animais. Fonte: dados coletados pela autora.

Observou-se que o sentimento de esperança foi mencionado em uma frequência maior no grupo de tutores que considerou sua experiência prévia como tendo sido positiva, porém também esteve presente no grupo que considerou sua experiência prévia como negativa. Sentimentos como medo, angústia e tristeza foram assinalados em ambos os grupos. Nos estudos de Olver (2012)6 e Grandizoli et al. (2017)7, os resultados evidenciaram a predominância do sentimento “esperança” nas respostas dos participantes, nas mais diversas situações. O sentimento de esperança é descrito como uma importante estratégia de enfrentamento em casos oncológicos, pois consiste em algo que é desejado para o futuro, causando efeito positivo no presente por aumentar o sentimento de bem-estar e possuindo correlação negativa com sentimentos como ansiedade, estresse e depressão. Dessa forma, constitui um recurso de proteção e de enfrentamento de crises, contribuindo para a saúde do paciente oncológico e de seus cuidadores.

Entre os tutores que não haviam experienciado a quimioterapia anteriormente, o sentimento mais frequente foi esperança (33%), seguido de angústia (28,5%), medo (24%), desespero (9,5%) e tristeza (5%). Esses resultados reforçam a presença do estigma social ligado ao câncer, já relatado por outros autores, onde há o sentimento positivo pela possibilidade de tratar a doença entremeado pela angústia em relação aos possíveis efeitos colaterais do tratamento quimioterápico e pelo medo, haja vista a possibilidade da perda do paciente.2, 3, 4

Na questão que considerou se os participantes tiveram dúvida sobre aderir ou não ao tratamento quimioterápico indicado para seus animais, 82,5% dos tutores afirmou que em nenhum momento pensou em não fazer o tratamento. Esse resultado está de acordo com o grande número de tutores que relatou ter vivenciado o sentimento de esperança em relação à quimioterapia. Estudos anteriores, como o de Hetts e Lagoni (1990)8 e de Vieira (2019)4, já demonstraram que os tutores de animais com câncer querem estar cientes das possibilidades de tratamento, estando dispostos a buscar alternativas que possam curar ou prolongar a vida dos seus animais. Além disso, existe a necessidade por parte dos tutores de saberem que fizeram tudo que estava ao seu alcance para salvar seu companheiro. Esse enfrentamento positivo também foi encontrado no estudo de Vieira (2019)4, que evidenciou o sentimento de luta por parte dos tutores e dos pais de crianças com câncer, os quais não recuaram diante da situação do tratamento.

Em contrapartida, 17,5% dos participantes afirmaram que tiveram dúvidas em relação à realização do tratamento em seu animal de companhia. A análise desses casos revelou que a maioria dos tutores que afirmaram ter essa dúvida possuíam experiência prévia positiva com quimioterapia. Esses resultados demonstraram que, mesmo considerando que o resultado do tratamento poderia ser satisfatório, esse grupo apresentou hesitação sobre submeter o animal à quimioterapia. Esse sentimento pode ser justificado pela preocupação do tutor com a qualidade de vida do animal submetido ao tratamento, conforme descrito no estudo de Hamilton et al. (2012)2. Segundo o mesmo autor, sinais físicos como diarreia e progressão da neoplasia durante a quimioterapia foram os mais associados às preocupações dos tutores, reforçando a insegurança sentida diante dos possíveis efeitos colaterais decorrentes do tratamento.

No estudo de Ferreira et al. (2017)3, verificou-se que 40% dos tutores entrevistados esperavam a cura dos seus animais de companhia com o tratamento quimioterápico. Esse resultado corrobora a alta porcentagem de tutores participantes deste estudo que afirmaram ter expectativas positivas em relação à quimioterapia (72,5% dos participantes). Isso pode indicar um ruído na comunicação veterinário e tutor, visto que nem todos os casos oncológicos vão evoluir para a cura com o tratamento quimioterápico (gráfico 3).

Gráfico 3: Gráfico das expectativas iniciais dos tutores em relação ao tratamento quimioterápico dos seus animais.
Fonte: dados coletados pela autora.

Em relação aos participantes que afirmaram ter tido expectativas negativas diante do tratamento quimioterápico, 57% não haviam passado por nenhuma experiência prévia com quimioterapia. Esse resultado pode indicar sentimentos de temor e insegurança em relação ao desconhecido, os quais já foram descritos em diversos estudos com pacientes oncológicos. Esse medo se manifesta tanto no paciente quanto nos seus cuidadores e familiares, refletindo a preocupação gerada pela perspectiva das dificuldades que poderão ser enfrentadas no período de adoecimento e tratamento. 9, 10

4.3 – Resultado da Quimioterapia

Entre os tutores que tinham expectativas positivas em relação ao tratamento, 69% tiveram suas expectativas confirmadas. Neste estudo não foram definidas as situações que seriam consideradas como resultado positivo ou negativo. Já no estudo de Wakiuchi et al. (2019)11, o qual avaliou as expectativas de pacientes oncológicos diante do tratamento quimioterápico, foi encontrado que o resultado positivo mais frequentemente mencionado pelos participantes foi a cura, apesar dos efeitos colaterais enfrentados. Diante do exposto, é possível considerar que o grupo de tutores que teve um resultado diferente do que havia imaginado, pode não ter considerado como sendo positivo qualquer outro resultado que não fosse a cura.

Entre os participantes do estudo que tinham expectativas positivas em relação ao tratamento, 31% consideraram que o resultado não correspondeu ao que esperavam. Podem fazer parte desse grupo os tutores que perderam seus animais, devido à rápida e progressiva evolução da doença, ou aqueles cujos animais sofreram com os efeitos colaterais do tratamento quimioterápico. Segundo Wakiuchi et al. (2019)11, situações relacionadas aos efeitos colaterais e às dores da quimioterapia contribuem para a sua conotação predominantemente negativa perante o paciente e seus familiares. Entretanto, o mesmo estudo citado acima ressalta que nem sempre os pacientes vão conviver com efeitos colaterais importantes, os quais podem variar de acordo com o tipo de câncer e os quimioterápicos administrados.

Quase metade dos participantes (43%) que afirmaram ter expectativas negativas diante do tratamento acabou encontrando um resultado positivo, diferentemente do que tinham imaginado. Esse resultado corrobora com o apresentado em outro estudo, o qual afirma que a negatividade em relação à quimioterapia geralmente antecede o tratamento, como forma de estigmatização social do mesmo, presente tanto no paciente quanto em seus familiares e cuidadores12. O câncer coloca os indivíduos e seus familiares em condição de fragilidade em virtude do estigma social da doença, dificuldades em lidar com a situação e preocupação com as suas consequências, tanto para o doente quanto para os demais membros da família (PEREIRA; BRANCO; 2016). Por outro lado, segundo Wakiuchi et al. (2019), essa percepção pode mudar após o tratamento, dependendo da resposta do paciente à quimioterapia e a intensidade de seus efeitos colaterais.

4.4 – Rede de apoio

Quando questionados se estavam recebendo apoio durante o tratamento dos seus animais, quase a totalidade dos tutores (97,5%) respondeu que recebeu suporte advindo do meio familiar, da equipe médica veterinária e de amigos. Apenas um dos 40 participantes da pesquisa respondeu que não estava recebendo apoio durante esse momento difícil (gráfico 4).

Gráfico 4: Gráfico da existência ou não e origem do apoio recebido pelos tutores durante o tratamento dos seus animais.
Fonte: dados coletados pela autora.

Devido à cronicidade e à gravidade do câncer, os familiares necessitam de assistência, exigindo reorganização para atender às necessidades cotidianas do paciente13. A incapacidade de se comunicar com o animal e a impossibilidade de estar em casa durante a maior parte do dia para cuidar do paciente são fontes de angústia e estresse durante o tratamento.14

O vínculo entre pessoas e animais é bem documentado na literatura, com relatos de que o relacionamento dos tutores com seu animal de estimação é da mesma natureza que o relacionamento com um membro da família. Tutores relatam que receber más notícias sobre a saúde de seu animal é semelhante a receber más notícias sobre a saúde de seus filhos14. Desse modo, o apoio familiar também se constitui como um importante meio de enfrentamento para esses tutores.

No estudo de Vieira (2019)4, ficou evidente a importância da participação da equipe médica veterinária no suporte aos tutores durante o tratamento dos seus animais. Este estudo verificou que os tutores se sentiram acolhidos no hospital veterinário, relatando que a equipe conseguiu suprir não só o suporte técnico para os cuidados do paciente, como também o suporte emocional para a vida dos tutores. No mesmo estudo, os participantes relataram ainda que a equipe veterinária foi muitas vezes mais importante que os próprios familiares, reforçando a relevância do apoio proveniente desses profissionais.

5 – CONCLUSÕES

Com base nos resultados apresentados, é possível concluir que a maioria dos tutores atendidos no serviço de oncologia tem uma ideia pré-concebida sobre a quimioterapia, baseada em suas experiências prévias. A situação já vivenciada influenciou a maneira como o tutor enxergou o adoecimento do seu animal.

A maioria dos tutores participantes desta pesquisa vivenciou sua experiência prévia com o adoecimento de algum familiar e considerou-a como tendo sido positiva. Nesse contexto, o sentimento de esperança constitui um importante recurso de proteção e de enfrentamento de crises diante dos casos oncológicos. A maioria dos tutores não teve dúvidas sobre realizar ou não o tratamento quimioterápico no seu animal.

Em relação às expectativas diante do tratamento quimioterápico, foi possível concluir que as experiências prévias não interferiram nas expectativas diante do atual tratamento. A maioria dos tutores participantes da pesquisa afirmou que o resultado da quimioterapia estava de acordo com o que imaginavam antes do tratamento.

Além disso, a maioria dos tutores que tinham expectativas positivas em relação ao tratamento tiveram suas expectativas confirmadas, indicando que na maioria dos casos a quimioterapia atende aos propósitos pelos quais é indicada. Quase a totalidade dos tutores participantes recebeu apoio durante o tratamento do seu animal, principalmente advindo do meio familiar e da equipe médica veterinária.

6- REFERÊNCIAS

1- CRUMP, K. T. Cancer and Chemotherapy. Veterinary Information Network, Davis, 2013. Disponível em: <http://www.vspn.org/Library/Misc/VSPN_M02045.htm>. Acesso em: 1 fev. 2020.

2- HAMILTON, M. J.; et al. Questionnaire-based assessment of owner concerns and doctor responsiveness: 107 canine chemotherapy patients. Journal of Small Animal Practice, London, 2012.

3- FERREIRA, M. G. P. A.; et al. Abordagem ao Cão e Gato com Câncer: Qual a Visão do seu Tutor? 2017. Tese (Doutorado em Clínica Médica Veterinária) – Faculdade de Medicina Veterinária, Universidade Estadual Paulista, Jaboticabal, 2017.

4- VIEIRA, L. C. Diagnóstico e Tratamento de Câncer em Cães e em Crianças: Estratégias de Enfrentamento Utilizadas por Tutores e Pais. 2019. Tese (Doutorado em Ciências Veterinárias) – Faculdade de Medicina Veterinária, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2019.

5- PESSINI, L.; BERTACHINI, L. Humanização e Cuidados Paliativos. 6 ed. São Paulo: Edições Loyola Jesuítas, 2014.

6- OLVER, I. N. Evolving definitions of hope in oncology. Current Opinion in Supportive and Palliative Care, London, v. 6, n. 2, p. 236-41, Jun. 2012.

7- GRANDIZOLI, M. V.; et al. Indicadores de esperança, ansiedade e depressão de pacientes em tratamento oncológico. Arquivos de Ciências da Saúde, São José do Rio Preto, v. 24, n. 3, p. 65-70, jul-set 2017.

8- HETTS, S.; LAGONI, L. The owner of the pet with cancer. Veterinary Clinics of North America: small animal practice, Philadelphia, v. 20, n. 4, p. 879-896, July 1990.

9- ROSSATO, K.; et al. O adoecer por câncer na perspectiva da família rural. Revista de Enfermagem da UFSM, Santa Maria, v. 3, p. 608-617, 2013.

10-RIBEIRO, S. L.; et al. Incidentes críticos experienciados no tratamento da doença oncológica. Revista de Enfermagem do Centro Oeste Mineiro, Divinópolis, vol. 5, n. 3, p. 1805-1819, set-dez. 2015.

11-WAKIUCHI, J.; et al. A quimioterapia sob a ótica da pessoa com câncer: uma análise estrutural. Texto Contexto – Enfermagem, Florianópolis, v. 28, maio 2019.

12-PALACIOS-ESPINOSA, X.; GONZÁLEZ, M. I.; ZANI, B. Las representaciones sociales del cáncer y de la quimioterapia en la familia del paciente oncológico. Avances em Psicología Latinoamericana, Bogotá, v. 33, n. 3, p. 497-515, 2015.

13-PEREIRA, T. B.; BRANCO, V. L. R. As estratégias de coping na promoção à saúde mental de pacientes oncológicos: uma revisão bibliográfica. Revista Psicologia e Saúde, Campo Grande, v. 8, n. 1, p. 24-31, jun. 2016.

14-SIESS, S.; et al. Why psychology matters in veterinary medicine. Topics in Companion Animal Medicine, New York, v. 30, n. 2, p. 43-47, Jun. 2015.

Karem Steffens Brondani

Graduada em Medicina Veterinária pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul no ano de 2021, realizou seu trabalho de conclusão de curso na área da psico-oncologia. Atualmente trabalha como clínica geral em um hospital oncológico.

Dra. Luciane Cristina Vieira

Possui graduação em Medicina Veterinária (1999), mestrado (2005) e doutorado (2019) em Ciências Veterinárias pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É especialista em Oncologia Veterinária pelo Instituto Bioethicus (2012). Atua no Serviço de Oncologia (Oncovet) do Hospital de Clínicas Veterinárias (HCV) da UFRGS. Responsável pelo Serviço de Bioética do HCV - UFRGS. Pesquisadora voluntária no Laboratório de Pesquisa em Bioética e Ética na Ciência do Centro de Pesquisa Experimental do Hospital de Clínicas de Porto Alegre.

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