Obesidade: novo estudo auxilia na prevenção e tratamento


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Pesquisa apresenta aspectos importantes do metabolismo de cães obesos após o emagrecimento

A obesidade é uma das doenças mais comuns encontradas em cães no Brasil e no mundo, chegando a afetar metade dos pets. “As consequências da obesidade são diversas, e podem ser desde alterações articulares, respiratórias e cardíacas até mesmo redução no tempo de vida”, aponta Vivian Pedrinelli, médica-veterinária doutoranda em nutrição de cães e gatos pela FMVZ/USP – Jaboticabal. O sobrepeso em cadelas, por exemplo, aumenta as chances de aparecimento de tumores nas mamas. “Além disso, a obesidade pode ser uma das causas da diabete mellitus em gatos, além de piorar consideravelmente a qualidade de vida de animais que possuem alterações articulares”, acrescenta Vivian, que também é sócia-fundadora da Sociedade Brasileira de Nutrição e Nutrologia de Cães e Gatos (SBNutriPet). Ainda segundo ela, para ser considerado obeso, um cão deve apresentar peso 20% ou mais acima do ideal.

Diante desse triste cenário, um estudo novo desenvolvido por pesquisadores brasileiros chega para somar no combate à obesidade, pois ele traz importantes resultados sobre o metabolismo de cães obesos após emagrecerem e voltarem ao peso ideal. Segundo a pesquisa, após a perda de peso, cachorros obesos apresentaram perfil metabólico semelhante ao de cães em condição corporal ideal. “Esses resultados são bem interessantes porque se conseguimos entender os metabólitos envolvidos nas diferenças entre um cão obeso e um cão em condição corporal ideal, e principalmente o retorno à normalidade posterior ao emagrecimento, conseguimos ter a melhor compreensão dos mecanismos envolvidos”, explica o médico-veterinário Thiago Vendramini, um dos autores do estudo. O especialista explica que esta avaliação metabólica e a identificação de alterações moleculares relacionadas ao sobrepeso pode ajudar a medicina veterinária a melhorar a prevenção e o tratamento da obesidade.

A pesquisa, intitulada “Serum metabolomics analysis reveals that weight loss in obese dogs results in similar metabolic profile than that of dogs in ideal body condition”, foi realizada no CEPEN pet – Centro de Pesquisas em Nutrologia de Cães e Gatos da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP, no campus de Pirassununga (SP) – espaço fruto de uma parceria com a PremieRpet®️. Idealizada e orientada pelo Prof. Dr. Marcio Antônio Brunetto, responsável pela disciplina de Nutrição de Cães e Gatos na FMVZ/USP e Coordenador do CEPEN pet, ela conquistou o 1º lugar no Congresso da European Society of Veterinary and Comparative Nutrition (ESCVN), um dos mais importantes do mundo no estímulo à pesquisa e disseminação de conhecimentos em nutrição veterinária. O estudo indicou também outros benefícios para o cão obeso após o processo de emagrecimento. “[…] Observamos que houve aumento da concentração de um metabólito chamado citrato, que está envolvido na inibição do desenvolvimento de cálculos urinários, por exemplo, informação que até então não tinha sido demonstrada em nenhum outro estudo com cães”, afirma Marcio. Para Vivian Pedrinelli, que é co-autora da pesquisa, compreender melhor os mecanismos da obesidade é essencial. “Assim, ficam mais claras as consequências da obesidade em cães e, mais importante, os benefícios da perda de peso sobre o funcionamento do organismo como um todo”, explica Vivian.

Causas do problema

A principal explicação na maior parte dos casos de obesidade em cães é a falha de manejo dos seus tutores. O excesso de calorias pode vir desde ração em excesso, a exagero de petiscos ou mesmo alimentação imprópria com muitas calorias. “A falta de atividade física também é um grande fator que pode levar ao ganho de peso”, relata Vivian. De acordo com a veterinária, a quantidade do alimento é o que mais influencia no ganho de peso, mas reforça que rações de melhor qualidade geralmente são mais palatáveis e assim podem levar os pets a consumirem em maior quantidade. “Isso não quer dizer que rações de baixa qualidade previnam a obesidade. Também devemos considerar que rações de baixa qualidade podem predispor a outros problemas, como deficiências nutricionais”, alerta.

Alimentação ideal

A veterinária esclarece que a comida do pet deve ser rigidamente controlada pelo tutor. Assim, o médico-veterinário precisa passar uma orientação a ele ou pedir para que o tutor utilize as recomendações do fabricante de acordo com o rótulo do alimento. A mesma regra vale para petiscos. “O que vemos atualmente é o fornecimento de petiscos ou comidas extras como forma de agradar o pet ou de compensar o tempo que o pet fica sozinho, por exemplo. Isso pode levar à obesidade quando os petiscos são dados em excesso, principalmente no caso de animais que têm baixo nível de atividade física”, completa Vivian.

5 dicas para evitar a obesidade do pet

Algumas pequenas mudanças na rotina e na alimentação do cachorro podem fazer muita diferença no desenvolvimento
dele e auxiliam para evitar a obesidade e os problemas de saúde que podem ser resultado dela.

1) Controle as refeições
É preciso seguir à risca a quantidade e horários pré-definidos, ou seja, oriente o dono para que ele não ofereça o
alimento à vontade, pois alguns animais não conseguem regular a ingestão e acabam engordando.

2) Petisco na hora certa
O controle dos snacks também é importante, tanto na quantidade quanto na qualidade.

Procure evitar petiscos que tenham mais calorias. Não ofereça embutidos, carnes e massas como petisco ao seu cão.

3) Snacks fitness
Oriente seu cliente a dar preferência para petiscos menos calóricos como frutas,
especialmente as com bastante água, como melancia, melão e mamão, ou
legumes como cenoura, chuchu ou abobrinha cozidos.

4) Sua comida é SUA
Se o pet pede muito pelos alimentos do dono, oriente seu
cliente que o deixe fora da cozinha no momento das refeições.

5) Exercícios regulares
A prática de atividade física regular é muito importante por diversos motivos: ajuda

a manter a massa muscular, aumenta o gasto de calorias e pode ajudar a reduzir a ansiedade
(e consequente compensação no maior consumo de alimento).

 

 

Por Aline Guevara