DAPP conhecida como dermatite alérgica a picada de pulgas


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Por Alessandra Paschoal Alves Correa

A dermatite alérgica a picada de pulgas (DAPP) é, possivelmente, a causa mais comum de dermatite alérgica em cães e gatos em todo o mundo. Ela é desencadeada por uma reação de hipersensibilidade aos antígenos presentes na saliva das pulgas. Embora hoje no mercado pet, temos uma vasta quantidade de produtos que podem ser usados como preventivo, os tutores ainda não fazem uso destes produtos como uma medicina preventiva. Eles esperam ocorrer os sintomas, que na maioria das vezes são coceiras e lesões de pele que são causados em decorrência desta alergia e depois de todo o transtorno, procurar o médico veterinário para solucionar o problema.  Além disto, para o diagnóstico não é necessário encontrar a pulga no paciente e sim a característica da lesão, por este motivo fica mais difícil relatar a verdadeira causa da alergia do cão ou gato ao tutor. Nas estações do ano em que o clima é mais úmido e quente, como ocorre em grande parte do Brasil, as pulgas são encontradas com maior probabilidade, porém em outras épocas do ano elas também podem estar presentes. Por isso no Brasil consideramos uma doença de característica perene na qual pode ocorrer ao longo de todo o ano. Muito importante lembrar que as pulgas são hospedeiros intermediários do cestoide Dipylidium caninum, assim como podem ser vetores de agentes infecciosos, como a Bartonella henselae, que causa a Doença da arranhadura do gato e Mycoplasma haemofelis causadora da Micoplasmose felina. Quando a infestação no cão ou gato é alta, ela pode picar o tutor levando a um quadro de intenso prurido, além de transmitir agentes infecciosos. Nos casos severos com a presença maciça de pulgas, o animal pode desenvolver anemia levando o paciente ao óbito.  A DAPP é comum ser causada pela pulga da espécie como a Ctenocephalides felis felis conhecida como as pulgas do cão e gato e no humano a pulga mais comum e a Pulex irritans, ela tem na sua saliva uma secreção que contém substancias com grande potencial alergênico que causa prurido intenso.

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Pulga adulta Ctenocephalides felis felis, encontrada durante o exame físico do paciente – Fotos : Arquivo de Alessandra
Paschoal Alves Correa

A hipersensibilidade que a pulga desencadeia do tipo I, é uma reação imediata, assim como a reação tardia do tipo IV pode ocorrer. Se faz muito interessante que o cão ou gato com DAPP que tem pulgas em períodos intermitentes tem maior chance de desenvolver a alergia quando comparado com o animal que tem infestação de pulga ao longo de toda vida. Sabemos que no paciente que apresenta outro quadro alérgico como a Dematite Atopica, tem maior predisposição em desenvolver DAPP. Não se faz necessária grande infestação por pulgas para manifestar os sintomas, o mais importante é o prurido no paciente devidamente alérgico. É de grande importância frisar que quanto mais eu expor o paciente alérgico a situações que causam alergia, maior será o principal sintoma que é a coceira. A localização desta coceira é mais acentuada na região dorso lombar, membros pélvicos e região ventro abdominal. A coceira também pode ser manifestada através de lambedura ou mordiscar destas áreas descritas. Devido ao trauma persistente estas áreas podem apresentar lesões clássicas de alopecia, pápulas eritematosas, discromia do pelo tornando de coloração acastanhada. Quadros mais crônicos é possível encontrar lesões de hiperpigmentação, hiperqueratose e lignificação.

O diagnóstico clínico é através de uma minuciosa coleta de informações no momento da anamnese, assim como o exame físico e a característica demográfica das lesões de pele. O tratamento e controle das pulgas também é uma opção para concluir o diagnóstico. Devemos considerar as outras alergopatias como Dermatite Atópica e Alergia alimentar além de quadros agravantes de Malasseziose e foliculite bacteriana incluídas como doenças para o diagnóstico diferencial.

Cão com DAPP apresentando lesões de eritema e alopecia na região dorso lombar
Cao com DAPP apresentando lesões de eritema, pápulas localizados ao longo do tronco.

No tratamento da DAPP, dermatite alérgica a picadas de pulgas são utilizados produtos para o controle de pulgas, assim como controle do prurido. A seleção do medicamento vai depender de vários fatores como a toxicidade, frequência de banho e a preferência da forma de aplicação oral ou tópica além da eficácia do produto escolhido. Quando procuramos um produto eficaz, estamos buscando um produto de ação rápida e de longa duração, estes fatores são importantes para o tratamento do paciente alérgico a picada de pulgas.

Podemos escolher adulticidas como por exemplo os derivados de Fipronil  Imidacloprid, Selamectina  que são de baixa toxicidade e podem ser usado em cães e gatos o intervalo de aplicação a qual é tópica e devem ser aplicado a cada 4 semanas,  por mais de 6 meses consecutivos. Temos ainda outro produto de aplicação tópica, embora indicado somente para o uso em cães que é o Dinotefuran, o modo de uso também é indicado como aplicação mensal. Uma outra alternativa de tratamento é através do uso de coleiras a base de Deltrametrina, o uso é exclusivo para cães. A coleira a base de Imidaclopride associado com Flumetrina é indicado para cães e gatos.

Agora na última década novas formas de tratamento vieram para revolucionar o mercado pet, são os medicamentos via orais e transdérmicos. Conhecidos como Isoxazolinas, são produtos de grande potencial para o tratamento da Dermatite alérgicas de picadas a pulgas. Para a forma de uso oral temos o Afoxolaner isolado ou Afoxolaner associado com Milbemicina, ambos estão indicados somente para cães. Novamente via oral e outra opção de tratamento somente para cães, podemos encontrar o Sarolaner. Para fechar nossa opção de escolha ao tratamento da dermatopatia alérgica, o Fluralaner que existe na versão via oral e trasndermica pode ser indicado tanto para cães quanto para gatos. É muito importante que o uso deste produto que foi escolhido, deve ser aplicado de forma contínua e todos os animais contactantes também devem usar.

Alessandra Paschoal Alves Correa

Graduada pela Universidade de Marilia, SP- UNIMAR (1994). Pós-graduada pela Universidade de São Paulo (USP) em Dermatologia de pequenos animais (2012). Aperfeicoamento em Dermatologia animal pela Universidade de Viena, pela European School Advanced Veterinary For Studies, ano de 2009. Participou da clínica de Dermatologia na Universidade da Carolina do Norte, USA (2007) e da clínica de Dermatologia na Universidade de Minessota, USA (2008). Proprietária da clinica Mr. Dog & Cia, com sede na cidade de Ribeirão Preto, desde o ano de 1998

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