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Por Carolina V. B. Ferraz

Dermatites secundárias

Problema corresponde de 30 a 70% da rotina da clínica veterinária e requer diagnóstico preciso

As dermatites correspondem de 30 a 70% da rotina da clínica veterinária. Por serem primárias ou secundárias o diagnóstico e tratamento são muitas vezes difíceis e custosos. As dermatites secundárias desenvolvem-se na maior parte das vezes pelo desequilíbrio de uma ou mais barreiras fisiológicas (pH, umidade e temperatura) e/ou imunossupressão ocasionados pela patologia primária, que pode ser proveniente de quaisquer órgãos dos sistemas. O desequilíbrio das barreiras fisiológicas tem por consequência a desproporção da microbiota natural dérmica, ocasionando então infecções secundárias. Como alguns exemplos de doenças primárias que podem levar a dermatites secundárias temos: quadros alérgicos, parasitários, endócrinos, autoimune, neoplasias entre muitas outras.

Para obter sucesso no tratamento, o diagnóstico deve ser preciso, dependendo da anamnese, exame físico e complementares bem-feitos visando identificar a patologia primária.

O tratamento é variável, devido à causa primária, no entanto o tratamento tópico deve sempre estar associado, a fim de reequilibrar a flora dérmica, reidratar e regenerar a pele lesada. Muitas vezes o tratamento tópico (cremes, sprays, pomadas e shampoos) foca apenas no controle dos microrganismos, contudo a nutrição e hidratação da pele acabam por serem negligenciadas, atrasando o restabelecimento da saúde desse órgão tão importante.

Quando a pele se encontra doente, suas estruturas também deixam de ser eficientes. As glândulas sebáceas, responsáveis pela proteção e hidratação da pele, não produzem sebo suficiente ou produzem de forma exacerbada (alterando a umidade); os pelos caem, diminuindo consideravelmente a proteção física e térmica (aumento da temperatura superficial); os vasos não absorvem água e nutrientes necessários para a manutenção celular (ressecamento). Se nos preocuparmos somente em combater os microrganismos invasores, as barreiras fisiológicas continuarão desequilibradas, tornando o tempo de tratamento ainda maior. Em doentes crônicos, como os atópicos, o equilíbrio de barreiras fisiológicas da pele deve ser objeto de atenção. A hidratação e nutrição, além de uso de produtos exclusivamente veterinários colaboram para saúde dérmica, diminuindo a recidiva de infeções.

Sabemos da dificuldade de os tutores aderirem corretamente ao tratamento: respeitando doses, horários, dias de administração, tempo de imersão, entre outras recomendações que são essenciais para o sucesso do tratamento. Portanto, se considerarmos todas as variáveis possíveis para que consigamos facilitar e diminuir o tempo de tratamento, o resultado tende a ser superior.

CAROLINA V. B. FERRAZ

CRMV-SP 22.835

Responsável Técnica Sweet Friend.